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'Seu próximo livro deveria ser um app, não um iBook'

O iPad não é o Kindle-killer, mas pode ser algo tão bom quanto.

10 anos atrás

Agora que o iPad já é uma realidade, uma das grandes perguntas pré-lançamento começa a ser respondida. Afinal, ele é um "Kindle-killer", ou o iBooks só está lá para cumprir tabela?

iPad: Kindle-killer ou e-reader de muletas?

iPad: Kindle-killer ou e-reader de muletas?

Li algumas opiniões, já que testá-lo ainda está longe das minhas possibilidades, e a opinião unânime é de que, não, não é um matador de Kindle. O motivo principal já era previsto e, na prática, por melhor que seja a tela que a Apple colocou no seu tablet, não é capaz de bater uma de e-ink para leitura. Quer fazer um teste? Leia um livro no monitor você usa no dia-a-dia. Mas lembre-se de parar antes que seus olhos saltem das órbitas.

Ontem, mais um texto do tipo saiu no TechCrunch. Em outra opinião parelha à de que o iPad não é a melhor coisa do mundo para se ler livros, Paul Carr tocou na ferida de maneira magistral: quem exalta o iPad como e-reader não é, e potencialmente nunca foi, leitor de verdade. Entenda que, nesse contexto, não considera-se leitor quem passa o dia lendo o Meio Bit, ou o G1, ou qualquer outro site, retwita os posts, e fica nesse loop infinito. Entenda como leitor aquele cara que pega uma resma e lê com a mesma naturalidade que um leitor de Internet lê um hands-on, uma análise qualquer.

"O iPad não é, definitivamente, um dispositivo para leitores sérios: as únicas pessoas que o consideram, com convicção, um "Kindle killer" são aquelas a quem a ideia de ler por prazer morreu anos atrás, ou sequer jamais existiu. As pessoas gritarão bobagens como "eu leio numa tela o dia todo!" quando na realidade querem dizer "Eu leio os três primeiros parágrafos de um artigo do nyt que encontrei no Twitter antes de retwitá-lo; então repito o mesmo procedimento pelas oito horas seguintes nas quais eu deveria estar trabalhando."

Se o futuro do iPad como e-reader é tenebroso, existe uma saída. Horas depois da publicação daquele post do TechCrunch, o mesmo blog publicou uma opinião conflitante, escrita por Cody Brown, um jovem de 21 anos. Com poucos e certeiros argumentos, Cody ratificou a opinião de Carr, deixou claro que, para leitura, e-ink é insuperável no estado atual, mas nem por isso descartou o iPad como plataforma literária.

O título do post de Cody já dá uma vaga ideia da sua proposta: "Queridos autores, seu próximo livro deveria ser um app, não um iBook". Por que se limitar a apenas letras quando a plataforma oferece muito mais que isso? Por que não aproveitar-se das inúmeras possibilidades que o SDK do iPhone OS oferece, expandindo livros para além das fronteiras multimídia e, de quebra, chamando à leitura quem abandonou-a há muito, ou nunca lhe deu uma chance?

Em termos práticos, Cody propõe a criação de apps, não de iBooks. Crie livros policiais com jogos ao final de cada capítulo, quase um Scooby Doo interativo. Deixe as pessoas participarem da história, deixe espaços em branco, dê opções. Insira conteúdo multimídia. Cobre o quanto quiser, livre-se das amarras da iBooks Store. Escrever um livro tendo o iPad como fim, como o local principal para "publicação", é besteira.

"Existem técnicas literárias, existirão técnicas de iPad."

É uma abordagem extremamente interessante que todos, inclusive Jobs e a Apple, não vislumbraram. Quem gosta de ler, e procura um gadget para leitura, não abrirá mão do Kindle, não comprará um iPad para isso. Do jeito que a coisa foi apresentada pela Apple, o iBooks é só um tapa buraco, um recurso (inútil) a mais para... sei lá, justificar o preço, dar uma desculpa extra para potenciais compradores convencerem-se a si mesmos de que é uma compra necessária, do tipo "... e além de tudo isso, ainda posso ler livros aqui!".

"Tenho 21 anos, e posso dizer, com muita confiança, que os "livros" que definirão a minha geração serão impossíveis de serem impressos. Isso é ótimo."

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