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iPhone X kibado de US$ 100 é um pesadelo, tanto em performance quanto em segurança

Chineses kibaram um iPhone X de cabo a rabo: cópia roda Android totalmente customizado, possui hardware bem inferior e como não podia deixar de ser, é atochado de backdoors e apps maliciosos.

29 semanas atrás

Nós do Meio Bit cansamos de dizer que "o barato sai caro". Com a escalada dos preços dos smartphones, muita gente apela para alternativas como os dispositivos chineses, mais em conta e frequentemente tão potentes quanto os flagships ocidentais. Só que há a turma do escorpião no bolso metida a besta, que deseja um produto parecido com os da moda e não pode (ou não quer) abrir a carteira.

Smartphones xing-ling que imitam grandes lançamentos não são novidade, e é fato conhecido que tais dispositivos são encrenca das grossas. Ainda assim, o "iPhone X" que o site Motherboard analisou surpreendeu. Para o bem e para o mal.

Vamos pular a parte do preço, que é o indício mais óbvio de que alguma coisa está muito errada (o verdadeiro iPhone X começa em US$ 999, ou R$ 6.999 por aqui) e verificar o hardware em si. Externamente o aparelho é muito, muito parecido com o atual dispositivo de ponta da Apple, tem o logo da maçã, possui os mesmos botões físicos, uma porta Lightning, vem numa caixa idêntica e ao liga-lo, a confusão só aumenta. A interface do iOS foi copiada de ponta a ponta e vendo de longe ele até engana, mas é começar a usa-lo que a máscara cai.

Inevitável dizer que o "iPhone X" é um dispositivo Android com o sistema operacional profundamente alterado, de modo a imitar a aparência e Look and Feel do iOS 11 (os chineses kibaram até o número IMEI de um iPhone X legítimo) mas as semelhanças param aí. Para começar ele obviamente não possui Face ID, o notch foi incluído via software e a usabilidade como um todo é um terror. As réplicas dos apps proprietários da Apple se comportam como os verdadeiros, na maioria das vezes.

Algumas coisas entregam, no entanto. As notificações são características do Android (a versão customizada é baseada no 6.0 Marshmallow), o teclado é o padrão do Android, quando a "App Store" dá pau ele a chama pelo nome correto de Google Play Store, e algumas aplicações simplesmente não funcionam ou fingem que o fazem. O Face ID por exemplo não utiliza nenhum tipo de software de reconhecimento facial (nem poderia, convenhamos), apenas abre a câmera, adiciona um rosto como mostrado no vídeo acima e deixa qualquer um ativar o "iPhone X".

E em se tratando de um kibe chinês, o smartphone é um pesadelo para qualquer profissional de segurança: Chris Evans, profissional da Trail of Bits analisou o software e concluiu que os desenvolvedores utilizaram patches "de várias fontes" para customizar o Android e deixa-lo com a cara do iOS. Algumas dessas são atochadas de backdoors e apps maliciosos, sem falar que o software não possui qualquer tipo de sandbox ou método para proteger os dados do usuário.

Se o usuário fizer login com sua Apple ID neste iFrankenstein, seu login e informações privadas serão disponibilizadas para todos os apps e serviços incluídos nele, sejam benignos ou malignos. Resumindo, é uma armadilha das mais descaradas.

Os analistas reconhecem no entanto alguns esforços dos picaretas neste aparelho, ainda que para o mal: houve por exemplo uma tentativa legítima de fazer a "Siri" funcionar corretamente, ela usa a biblioteca iFlyTek para reconhecer os comandos de voz, enquanto faz traduções e checa a previsão do tempo através do servidores do Baidu (instalado com sucesso).

Por dentro, um desastre: o "iPhone X" conta com um SoC MediaTek MT6580, um quad-core de 32 bits (!) Cortex-A7 com clock de 1,3 GHz e GPU ARM Mali-400 MP2, que suporta displays de até 1.440 x 720 pixels apenas, várias peças plásticas para ocupar espaço e rebites, para manter tudo no lugar. Ainda que isso dificulte reparos, por US$ 100 não dá para esperar algo muito diferente disso.

Claro que ninguém em sã consciência deve comprar esse aparelho, que além de muito fraco é um espião portátil, mas é preciso reconhecer que os kibadores estão ficando cada vez mais engenhosos.

Com informações: Motherboard.

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