The Crew 2 — Review

Eu adoro jogos de corrida, mas quando a Ubisoft anunciou o The Crew, o meu maior interesse naquele título era poder fazer uma viagem de costa a costa nos Estados Unidos. Um bom tempo depois do seu lançamento eu resolvi dar uma chance a aquele game e a única coisa que fiz nele foi justamente encarar uma longa viagem do Maine até Los Angeles.

Era de se esperar então que cedo ou tarde o jogo receberia uma continuação e mesmo sem o primeiro ter conseguido me conquistar, eu continuava achando sensacional a ideia de um mundo aberto tão grande, além de imaginar que a Ivory Tower conseguiria aprender com os erros cometidos anteriormente. Bom, talvez tenha sido otimista demais em relação a isso.

Um mesmo mapa, mas com algumas mudanças

Assim como acontece no seu antecessor, The Crew 2 nos oferece um mapa que recria “todo” os Estados Unidos. É claro que aqui teremos uma versão em escala do país, então é possível atravessá-lo em apenas alguns minutos e tirando algumas das maiores cidades, não espere encontrar cada centímetro do país.

Mesmo assim, muitos dos principais pontos turísticos norte-americanos estarão presente, sendo possível visitar o Grand Canyon, disputar corridas pelas ruas de Nova York ou ver as belas praias da Flórida. É muito bacana poder atravessar a Route 66, viajar pela Pacific Coast Highway ou encarar a neve na Million Dollar Highway, com o jogo servindo até como uma forma de turismo virtual.

A sensação que tive jogando essa continuação é de que o nível de detalhes nas cidades aumentou, com o efeito de iluminação estando muito melhor e os grandes centros contando com mais prédios ou as florestas estando mais arborizadas. Isso fez com muitas vezes enquanto dirigia sem rumo pelo jogo eu parasse o carro apenas para apreciar os variados cenários e tirasse belas fotos.

O grande problema é que ao menos na versão para o PlayStation 4 todo esse esplendor visual acaba cobrando um preço alto e ele vem na forma de uma taxa de frames muito inconstante. Em certos momentos pude perceber quedas vertiginosas na atualização das imagens e por se tratar de um jogo de corrida, isso deixa de ser irritante para se tornar prejudicial para a experiência.

Mais nem sempre é sinônimo de melhor

A grande novidade do The Crew 2 sem duvida alguma é a grande variedade de categorias que temos para disputar. De corridas de rally até rachas pelas movimentadas ruas de uma metrópole e passando pelas provas em circuitos fechados, o jogo ainda nos permite correr de motos, monster trucks e acredite, até pilotar aviões ou barcos.

Um detalhe que chega a ser absurdo, mas que contribui bastante para a diversão é a possibilidade de alterarmos entre carros, aviões e lanchas rapidamente, apenas selecionado o veículo em um menu circular. Com isso podemos subir o mais alto possível enquanto voamos e de lá nos “transformarmos” em um Mustang, que cairá intacto na rua.

O lado negativo desta variedade é que o estúdio passa impressão de não ter conseguido se dedicar adequadamente a nenhuma modalidade. No caso dos carros, eles parecem estar sempre correndo sobre uma pista ensaboada, enquanto que os controles doa aviões e barcos também não funcionam muito bem.

Para piorar, o sistema de física está muito longe do ideal, com uma moto parecendo ter o mesmo peso de uma camionete. Isso fica mais evidente quando nos aventurarmos pelo moto cross, onde ter controle sobre as motocicletas é uma tarefa quase impossível. Some a isso o fato de precisarmos concluir certas categorias para desbloquearmos novas provas e o nível de dificuldade um pouco alto, e o resultado é a frustração por temos que repetir diversas competições que não gostamos.

Um jogo de corrida com pitadas de RPG

Algo que deverá dividir opiniões no The Crew 2 é a maneira como melhoraremos os nosso veículos. Funciona assim: ao concluirmos um evento seremos presenteados com alguns dos 10 tipos de peças para o carro. Divididos em três tipo (comuns, raros e épicos), esses itens terão valores sempre superiores a o que já possuímos e assim veremos os carros ficando cada vez melhores. Imagine o sistema de progressão do The Division e no The Crew 2 teremos até peças que nos renderão certos bônus ao as utilizarmos, como por exemplo ganhar um número maior de fãs ou acelerar o carregamento da barra de turbo.

Esse sistema serve para nos incentivar a continuar jogando, sempre tentando encontrar uma peça mais forte e que nos deixe em melhor condição de competir. Acontece que esses upgrades não podem ser feitos na base da compra e por isso teremos que gastar muitas horas para conseguir atingir o ápice de um veículo.

Por outro lado, quando se trata da parte cosmética como rodas, modificações para a carroceria ou pinturas, aí sim precisaremos usar a grana que conseguimos correndo ou mesmo com crédito comprado com dinheiro real. No geral não achei o sistema abusivo, mas não espere estar sempre com os bolsos cheios, mesmo porque novos carros costumam custar bem caro.

Um futuro promissor

Algo que fica muito claro ao jogarmos o The Crew 2 atualmente é que ele está longe de ser um projeto terminado. Além de diversos bugs bem irritantes, como erros no sistema de GPS ou uma inteligência artificial capenga, o título só deverá receber um lobby PvP lá para o final do ano e correções na interface também seriam bem vindas. Só para citar um exemplo, até o botão para sair ou reiniciar uma corrida é difícil de encontrar.

O pessoal da Ivory Tower já divulgou uma lista com as mudanças que estão por vir, entre elas um balanceamento no sistema de loot e até melhorias na simulação da gravidade, mas tudo isso deverá demorar um pouco para ser disponibilizado. Portanto, é melhor termos paciência.

Tal postura nem chega a ser surpresa quando se trata de um jogo da Ubisoft, já que muitos deles tem recebidos vários incrementos com o passar do tempo e não estranharei se um dia o The Crew 2 conseguir entregar uma experiência muito diferente da que temos atualmente.

Diversão existe, mas talvez nem todos a encontre

Lendo as críticas que fiz ao jogo até aqui, alguns poderão ficar com a sensação de que o odiei, mas isso não é verdade. The Crew 2 não é um jogo perfeito, algumas das interessantes ideias adotadas pelos seus criadores infelizmente não foram bem implementadas, mas mesmo assim tenho me divertido bastante com o game.

Seja disputando uma emocionante (e longa) corrida de Harley-Davidson entre Las Vegas e o parque Yosemite, seja encarando uma corrida de lanchas sob a luz da Lua no rio Mississipi ou mesmo usando o sistema de fotos para tentar recriar uma cena do filme E.T. – O Extraterrestre, o título tem uma quantidade absurda de conteúdo para oferecer e com um nível de variedade poucas vezes visto.

Talvez o The Crew 2 tenha me conquistado porque desde o início consegui ignorar os seus problemas, mas a verdade é que mesmo com ele não tendo muita personalidade e até não funcionando como uma verdadeira continuação, o seu fantástico mundo aberto e a liberdade proporcionada me agradou muito. O irônico é que nele eu ainda não consegui “parar” para fazer a tal descompromissada viagem do Atlântico ao Pacífico.

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Autor: Dori Prata

Pai em tempo integral do pequeno Nicolas, enquanto se divide escrevendo para o Meio Bit Games, Techtudo e Vida de Gamer, tenta encontrar um tempinho para aproveitar algumas das suas paixões, os filmes, os quadrinhos, o futebol e os videogames. Acredita que um dia conseguirá jogar todos os games da sua coleção.

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