Millennials descobrem o óbvio: todo mundo odeia escritório aberto

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Não existe nada mais suscetível à moda do que o mundo dos negócios. Todo ano surgem técnicas, filosofias e outras bobagens que prometem otimizar processos e maximizar lucros, gerando toda uma sinergia e… — droga, isso é contagioso.

Uma época foi a moda dos ISOs, o pessoal tinha mais ISO que aquele seu amigo piratão. Até casa de tolerância tinha ISO 9000. Internamente inventavam co-gestão, gerenciamento participativo, programas de incentivo, gamificação. Na arquitetura foi a festa, havia empresa onde não havia nomes nas salas, todo mundo poderia entrar e usar a que quisesse. Outras seguiram a moda de abolir salas e usar só cubículos, as mais descoladas partiram pro conceito de open office.

As startups descoladas aboliram o conceito de você ter a “sua” mesa, algumas aboliram as próprias mesas, trocando-as por pufes, aquelas coisas que originalmente só se achava em puteiro e casa de tia.

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Essas desgraças que só são confortáveis pra gente hiperativa com menos de 20 anos se espalharam pelas empresas modernosas, que adotaram toda uma série de filosofias de design de interiores promovendo a infantilização de seus espaços, fazendo com que millennials inseguros se sintam em casa, em seus safe spaces, e se você acha que estou exagerando…

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Só tem um problema: esses ambientes altamente descolados são péssimos pra produtividade. Mesmo cubículos também são. Eles funcionam para quem faz trabalho burocrático, mas quem faz trabalho criativo vem sofrendo calado faz tempo. Por sorte os Millennials estão percebendo isso e começaram a reclamar também.

Uma pesquisa do Commercial Cafe com 2.107 pessoas revelou que ninguém aguenta mais espaços abertos, mesões onde você não tem nenhuma privacidade, entregadores têm que gritar seu nome no salão, e você abre suas encomendas na frente de todo mundo. Passa gente do seu lado toda olha metendo olho na sua tela, nem tirar meleca é possível sem ir parar no Instagram alheio.

Como resultado 42,86% dos entrevistados disseram que seu modelo de escritório ideal é uma sala particular. 22,59% preferem Home Office. Só 9,87% gostam do tal Open Office.  Menos ainda curtem baias, 4,89% mas é compreensível, lembra o emprego dos pais.

A verdade é que não há nada melhor do que ter sua própria sala, onde você pode ser produtivo e antisocial o quanto quiser. A Microsoft era assim, antes de se render à Moda. Sério, nenhuma startup se compara a isto:

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As reclamações são muitas, e estudos mostram que é comum o funcionário levar mais de 20 minutos para conseguir se concentrar em algo, com interrupções constantes e barulho, problema reportado por 60% de todo mundo que trabalha em cubículos, e só 16% de quem tem sala fechada.

A situação é tão crítica que há funcionários da Apple pensando em pedir demissão, com a mudança para o campus novo e o fim das salas fechadas.

Aos poucos a geração atual está se dando conta da importância de espaço pessoal e individualidade, e isso é bom. Eles podem encontrar um bom ponto de equilíbrio entre a insanidade das startups lacradoras e a máquina esmagadora de almas que eram os escritórios de antigamente.

Quanto a isso, não tenho como concordar mais.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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