Grupo planeja mandar Israel pro espaço

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Espaço é difícil. Muito difícil. Tendemos rapidamente a nos acostumar com os avanços, mas espaço continua sendo difícil, como descobriu o pessoal do Prêmio X Lunar do Google. Originalmente eles dariam um prêmio de US$ 30 milhões para a primeira equipe participante que conseguisse cumprir os desafios de pousar um robô na Lua. O prêmio foi estabelecido em 2007: a meta era que o pouso fosse em 2012.

2012 veio e foi embora, sendo o prazo adiado para 2014, mas o projeto se tornou mais e mais complicado, com participantes abandonando a competição (havia um time brasileiro mas não vamos falar sobre isso). Em 2015 decidiram estender o prazo para dezembro de 2017, se até o final de 2015 algum dos participantes conseguisse reservar lugar em um lançamento. Vários conseguiram, afinal era só dinheiro, e o prazo foi de novo estendido.

Dezembro de 2017 veio, e de novo um adiamento. Os 5 grupos restantes conseguiram mais alguns meses, com o prazo indo para 31 de março de 2018, mas no final de janeiro a organização já desistiu. Viram que os grupos não iriam cumprir de novo os prazos, e de qualquer jeito 11 anos de projeto não é exatamente um belo exemplo de avanço rápido de tecnologia.

Vários grupos desistiram mas nem todos: o SpaceIL continua. O financiamento vem de doações de filantropos americanos e israelenses, com o bilionário Morris Khan, além de apoio da Agência Espacial Israelense (é, eles tem uma) e colaboração técnica de universidades e empresas como a Elbit e a Rafael, entre outras.

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Mesmo sem o prêmio, o projeto ainda segue as especificações originais. Entre elas o robô deveria pousar, percorrer pelo menos 500 metros e transmitir imagens e vídeo de alta definição da Lua. As outras equipes estão usando o modelo da NASA, um módulo de pouso com um carrinho-robô acoplado; já os israelenses pararam, pensaram e perceberam que podiam perfeitamente economizar um robô se fossem criativos.

Em vez de gastar dinheiro construindo um robô e tornando a missão mais complexa, eles estão levando a massa que seria do robô em combustível. O modulo de pouso, o Pardal, terá capacidade de pousar na superfície da Lua, fazer observações e transmissões, decolar de novo e pousar pelo menos 500 metros adiante, preenchendo os requisitos do concurso.

É uma solução tipicamente israelense: pragmática até o osso, tecnicamente correta (que é a melhor forma de correta) e que deixa um monte de gente insatisfeita 😉

Agora foi confirmada a data da viagem: O módulo de 585 kg, 2 metros de diâmetro e 1,5 metro de altura decolará para a Lua em dezembro de 2018, levado por um foguete da SpaceX. Ele fará uma série de órbitas mais e mais elípticas até se injetar em trajetória lunar e pousará, se tudo der certo, em 13 de fevereiro de 2019. Prevejo que vários recordes de streaming serão quebrados.

De resto, do mesmo que Elon Musk usou David Bowie como trilha sonora de seu Tesla espacial, espero que o pessoal da SpaceIL respeite a tradição e use a única música verdadeiramente digna desse momento histórico para Israel:


MJocose — Jews In Deep Space

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e para seu blog pessoal, o Contraditorium,

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