Impressoras 3D da Força Aérea dos EUA prejudicando os aliens da Área 51

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Entre 1975 e 1988 o Senador William Proxmire outorgou o Prêmio Velocino de Ouro, dedicado a programas do governo dos EUA que fossem absurdos desperdícios de dinheiro público. Entre os projetos vencedores há uma pesquisa que tentou determinar variações de agressividade de peixes intoxicados com tequila ou gin, um projeto de US$ 219 mil para ensinar estudantes universitários como assistir TV, e uma pesquisa do Departamento de Justiça para determinar o motivo pelo qual presidiários queriam fugir da cadeia.

Projetos militares foram sempre vencedores, eles estavam entre os campeões de desperdício, mas a história de que pagaram US$ 10 mil por um martelo era lenda. Eles pagaram apenas US$ 435. Também pagaram US$ 37 por um parafuso, US$ 7.622 por uma cafeteira, US$ 285 por uma chave de fenda e US$ 74.165 por uma escada de alumínio.

Outra lenda urbana diz que esses valores absurdos são usados para desviar dinheiro para projetos secretos, o que é pura mentira. Essa verba é definida em comitês especiais secretos do Senado. Os valores altos são ineficiência, burocracia e a boa e velha corrupção.

Quem acha que esses tempos passaram, pense duas vezes. Sabe quanto custa essa caneca aquecida aqui, para a Força Aérea do Tio Sam?

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Acertou, US$ 1.220. MIL E DUZENTAS DOLETAS por uma caneca aquecida para ser usada pelas tripulações de bombardeiros e aviões de transporte.

A caneca em si é uma bosta: a alça tem uma inexplicável curva de 90 graus que se torna um ponto extremamente frágil quando a caneca cai no chão, coisa que acontece quando você está no meio de uma turbulência ou desviando de mísseis inimigos.

Aí entra o pulo do gato: o fabricante não vende a peça de reposição. É preciso comprar outra caneca.  Em 2016 foram 10 canecas, num total de US$ 9.630. Em 2018 com o preço aumentando, 25 canecas custaram US$ 32 mil.

Agora um grupo da Força Aérea resolveu resolver o problema: entraram em contato com os tripulantes para entender como melhorar a caneca, modelaram uma nova alça e imprimiram em 3D, a um custo de US$ 0,50.

Melhor ainda, o projeto todo levou… uma semana.

Agora estão esperando a burocracia, a alça será checada avaliada analisada dissecada testada carimbada e só então poderá voar.

Isso, claro, se os advogados deixarem. A Força Aérea é refém das Leis de Propriedade Intelectual, e às vezes o design é patenteado e aí já era. Por isso o assento sanitário do C-17 Globemaster III, que poderia ser impresso em 3D por menos de US$ 300 é vendido pelo fabricante por US$ 10 mil.

E o pobre senador Proxmire preocupado com a FAA e seu projeto de US$ 57 mil para tirar as medidas de 432 aeromoças, incluindo a distância entre as nádegas e as pernas.

Fonte: Military.com.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e para seu blog pessoal, o Contraditorium,

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