Algoritmo do Facebook reconhece como discurso de ódio e remove post com a… DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA DOS EUA

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A internet criou uma grande confusão quando não se definiu se era veículo de comunicação ou meio de comunicação. As redes sociais e sites de hospedagem subitamente se viram responsáveis pelo conteúdo de terceiros, e por isso a cobrança também é confusa.

Mesmo se fosse Hitler ligando pro Trump ninguém em sã consciência ameaçaria a companhia telefônica. Mandar uma carta ameaçadora para alguém é crime, claro, mas nenhum juiz do planeta aceitaria uma ação culpando o correio por entregar a Carta. Já o Facebook e o Twitter são responsáveis pelo que os outros cativaram.

Nos tempos modernos as pessoas cobram que as redes sociais combatam o discurso de ódio e promovam as mensagens corretas, que são, claro, as que ELAS acham corretas, mas como ninguém quer perder dinheiro, todo mundo assina a cartilha.

O problema é que “discurso de ódio” é um conceito muito vago, teve jornalista banido do Facebook por postar reportagens contra discurso de ódio, mas como reproduziu como exemplo pare das mensagens ofensivas, foi penalizado.

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Agora comprovando mais uma vez que computadores não entendem contexto, o algoritmo de controle de moral e bons costumes do Facebook virou suas armas contra o Vindicator, um jornal do Texas.

Eles publicaram durante a semana trechos da Declaração de Independência dos EUA, até que este post, a 10ª parte simplesmente sumiu. Foi removido por violar as regras comunitárias do Facebook.

Claramente o trecho que apitou no Ministério da Verdade do Facebook foi este:

“He has excited domestic insurrections amongst us, and has endeavoured to bring on the inhabitants of our frontiers, the merciless Indian Savages, whose known rule of warfare, is an undistinguished destruction of all ages, sexes and conditions”.

Obviamente a mente lacradora que programou o software não entende o complicado conceito de que antigamente as pessoas se expressavam de forma diferente, e “Impiedosos índios selvagens” acionou os alarmes.

O jornal não gostou nada da atitude, e logo a notícia da censura havia se espalhado por um monte de veículos. Rapidamente a notícia chegou até gente com bom senso e poder de decisão, o banimento foi revertido e entre mortos e feridos salvaram-se todos, mas será sempre assim?

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Esses algoritmos bagaceira baseados em simples palavras-chave são uma solução porca que qualquer troll que se preze aprende a contornar, sobrando a patrulha pra casos onde o uso dos termos “ofensivos” é legítimo. Estamos chegando ao ridículo ponto onde se alguém te xinga de algo ofensivo você corre o risco de ser punido por dizer do que foi xingado.

Criamos uma sociedade online onde as pessoas deixaram de ter medo de pessoas e passaram a ter medo de idéias, agora temos medo de palavras. Palavras isoladas, viramos os bruxos covardes com medo de falar “Voldemort”.

Benjamin Franklin uma vez disse: “aqueles dispostos a abrir mão de liberdade em troca de segurança não merecem nenhum dos dois”. Hoje vemos que ele estava certo, e quando nem a Declaração de Independência dos EUA está à salvo, tudo que dissermos poderá e será usado contra nós mesmos.

Fonte: Russia Today.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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