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Na Ubisoft, games e política se misturam

De acordo com o CEO da Ubisoft, o objetivo da empresa é fazer com que os seus jogos nos coloquem para pensar, mas será que eles estão realmente dispostos a nos deixar assumir certas posições políticas em suas criações?

2 anos atrás

Embora isso evidentemente aconteça há décadas, algumas pessoas defendem que esportes e política não deveriam se misturar. Mas e quando se trata de games e assuntos políticos? Pois de acordo com o CEO da Ubisoft, a editora francesa tem utilizado suas criações para abordar temas delicados, mesmo que fazendo isso da forma mais neutra possível.

O nosso objetivo em todos os jogos é fazer as pessoas pensarem,” disse Yves Guillemot ao The Guardian. “Queremos colocar os jogadores diante de questões que eles nem sempre se perguntam automaticamente. Queremos que os jogadores escutem diferentes opiniões e tenham as suas próprias opiniões. O nosso objetivo é dar todas as ferramentas ao jogador para que ele pense nesses assuntos, para ser capaz de ver as coisas mais longe.

Para o executivo, a principal vantagem dos games sobre outras mídias é a possibilidade do jogador ser o ator, ser aquele que tomará as decisões e por isso a função do desenvolvedor é nos permitir seguir o caminho que quisermos, tomar decisões e experimentar as consequências. Mesmo assim, ele reconhece que existem limites que devem ser impostos, como por exemplo nos punir quando matarmos pessoas.

O mais interessante no entanto são os planos da empresa para o futuro, já que Guillemot afirma que eles poderiam criar um jogo que nos permitiria simular outras formas de viver, com as pessoas experimentando o que daria certo ou não. A minha dúvida neste caso é: será que a Ubisoft está disposta a colocar a mão neste vespeiro?

O que me faz duvidar dessa “liberdade controlada” é a própria maneira como a empresa tem trabalhado. Na minha análise do Far Cry 5 eu critiquei a maneira como eles preferiam não aprofundar a discussão em torno dos extremistas, fazendo com que o enredo permanecesse numa irritante zona cinza e por vezes até pendendo para a galhofa. Será então que um dia eles me permitirão, ao invés de lutar contra os membros de uma perigosa seita religiosa, fazer parte dela?

Imagine então o caso do Tom Clancy’s: The Division 2. No jogo visitaremos uma Washington que foi destruída por um ataque terrorista e no trailer podemos ouvir o narrador dizendo que uma nova Guerra Civil começou nos Estados Unidos. Em outras condições, eu esperaria que o game fizesse uma boa abordagem política sobre o tema, mas como até o diretor disse numa entrevista que não será o caso, me sinto obrigado a pensar que o mais prudente seja imaginar que a Ubisoft continuará na sua zona de conforto, fazendo o possível para não desagradar ninguém.

O pior é que pensando pelo lado da empresa, o melhor talvez seja mesmo eles não procurarem briga, mas como alguém que sempre considerará os games como arte, gostaria de vê-los tomar algumas posições de vez em quando.

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