Compressão de planos em lentes – mais uma coisa que não existe

Eu sempre tenho um ditado que falo para meus amigos: Se vai ensinar errado é melhor não ensinar. E acontece muito na fotografia, o ensinar errado. Isso acontece por vários motivos. Um deles é simplificar coisas que são muito complicadas. O primeiro grande erro de quem quer aprender fotografia é achar que é tudo muito fácil. E não é. Fotografia é basicamente matemática e física, e também tinha muito de química na época dos filmes fotográficos, principalmente os preto e branco. Imaginem a dificuldade de ensinar EV (valor de exposição), para um grupinho que só quer saber de sentar o dedo no botão disparador.

O segundo motivo é a quantidade gigantesca de profissionais “verdes” que entraram no mercado de ensino de fotografia. Gente que fotografa há 1 ou 2 anos e já se propõe a ensinar fotografia e, geralmente, ensina um monte de conceitos errados ou deturpados. Quando eu tinha apenas 2 anos de fotografia eu mal sabia o motivo de algumas fotos desfocarem o fundo e outras ficarem nítidas.

Existem 3 exemplos bem interessantes sobre conceitos que são simplificados para facilitar a compreensão do fotógrafo iniciante e que são errados. Balanço de branco é um deles. Sempre falamos que a temperatura de cor mais azul é fria e a vermelha é mais quente, quando na realidade não é bem assim. Esquecemos de dizer que quando falamos em luz quente ou fria, não estamos nos referindo ao calor físico da lâmpada, e sim a tonalidade de cor que ela irradia ao ambiente. Um erro bobo, mas ele existe.  Outro erro é quando ensinamos que a profundidade de campo é afetada pela abertura do diafragma, pela distância focal e pela proximidade do assunto. Na realidade nada disso importa, pois o que controla a profundidade de campo é o diâmetro, e não a abertura, do diafragma, e só isso.

Nessa mesma linha, e o motivo desse texto existir, temos a tão falada compressão dos planos em lentes com grande distância focal. O que geralmente é dito? Que lentes com pequena distância focal (grande angular) afastam os planos das fotos (distorção de extensão) e lentes com grande distância focal (teleobjetivas) comprimem os planos da imagem (distorção de compressão). Sim, em algum momento acabamos explicando dessa maneira para facilitar o entendimento, mas é errado. As lentes, independente da distância focal, não comprimem e nem afastam os planos da imagem. Tudo não passa de uma ilusão de ótica.

Se fazemos uma foto de um objeto com uma grande angular e depois fazemos a foto com uma teleobjetiva sem mudar a distância da câmera, notamos que a distância entre os planos se mantém intacta. Mas, ao fazer um retrato com uma grande angular e depois utilizar uma teleobjetiva e tentar manter o mesmo enquadramento, o que muda nas fotos é a distância da câmera para com o objeto fotografado. Dessa forma, a maneira  como percebemos a compactação ou expansão dos planos é apenas uma ilusão de ótica, pois nos afastamos do objeto fotografado, mas também nos afastamos do plano de fundo.

O fotógrafo  do Fstoppers publicou um vídeo muito bacana mostrando o efeito da distorção de extensão e da distorção de compressão e ele prova com imagens que tudo não passa de ilusão.

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams "Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio".

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