Como previu Star Trek, a TV está com os dias contados

Em uma cena de De Volta Para O Futuro o avô de Marty McFly o chama de mentiroso por ter dito que tinha mais de uma televisão em casa. É verdade. Antigamente TV era artigo de luxo. A TV colorida o eletrodoméstico mais idolatrado da casa, tanto que quando os videogames apareceram éramos proibidos de usar a TV principal, culpa daquele maldito amigo do pai que dizia que videogame estragava televisão.

Em termos de conteúdo, mesmo morando num grande centro contava-se nos dedos da mão do Lula os canais existentes. Todos genéricos, menos a TV Educativa que só prestava por causa do Sem Censura e dos eventuais filmes históricos com a Glória Pires pelada vestida de índia.

Éramos escravos da programação, se você gostava de uma série, era bom estar com seu traseiro gordo na poltrona no dia e na hora certa. Quer ver de novo? Espera a boa vontade do programador resolver passar aquele episódio mais uma vez.

Com a chegada das TVs a cabo, a fidelização das emissoras começou a desaparecer. Não é mais possível só assistir a uma rede, e o videocassete começou a minar a ditadura do horário.

Hoje temos centenas de canais nas operadoras de assinatura, e uma tonelada de serviços de streaming. O que começou como uma idéia que ninguém botava fé, uma locadora de DVDs oferecendo streaming e agora produzindo séries se mostrou um negócio vencedor.

Star Trek previu a invenção dos tablets mas não das abas…

Tentando sobreviver as emissoras de TV muito a contragosto começaram a replicar seu conteúdo na Internet, coisa que elas ainda não entenderam, vide a vida difícil de Agentes da SHIELD, que todo ano tem audiência medíocre na ABC, mas na última hora alguém lembra que a série bomba na Internet e nos TIVOs da vida, e então ela é renovada.

O resultado é que a audiência da tv tradicional vem caindo, o consumo de conteúdo vem aumentando e nunca tivemos tantos programas e séries bons como temos hoje em dia, só ninguém mais assiste na televisão, relativamente falando.

As pessoas diversificaram seu consumo de conteúdo, pulverizando as fontes e escolhendo quando e onde vão consumir, o resultado é que a Internet, móvel e fixa é a grande vencedora. As projeções apontam que em 2019 teremos a Grande Virada, quando o público passará mais tempo consumindo conteúdo na Internet do que na televisão.

O consumo diário de Internet será de 170.6 minutos, já o de televisão, 170.3 minutos. Depois disso a TV continuará a decair e a Internet a aumentar.

Em Jornada nas Estrelas – A Nova Geração é dito que a televisão foi uma forma de entretenimento que não durou muito além de 2040. Parece que acertaram em cheio, o que é espantoso visto que o episódio The Neutral Zone foi ao ar exatamente 30 anos atrás, onde o fogo mal havia sido inventado, que dirá a Internet.

O melhor de tudo, o conteúdo que amamos irá continuar e se tudo der certo os infomerciais também seguirão o caminho dos dinossauros.

Fonte: Quartz

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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