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Tencent quer avançar o mercado chinês de componentes e semicondutores, após o caso ZTE

Após a porrada que a ZTE levou dos Estados Unidos, Tencent se oferece para "manter a China no jogo" e criar um parque nacional para a produção de componentes e semicondutores, de modo a não depender de empresas estrangeiras.

1 ano e meio atrás

A Tencent continua em sua missão de expandir seus domínios. Após a ZTE sofrer uma série de sanções impostas pelos Estados Unidos (o que pode ser revertido em breve, as condições inclusive já foram apresentadas), a gigante chinesa se ofereceu para criar o próprio mercado de componentes e semicondutores do país, visando não só manter a competitividade com outros mercados mas também para aumentar seu próprio alcance.

A declaração foi feita pelo CEO da Tencent Ma Huateng (conhecido como Pony Ma no ocidente), tendo em vista as consequências das sanções impostas à ZTE. A empresa não é apenas uma fabricante de smartphones, mas provê também componentes e semicondutores para um grande número de clientes em todo o globo. Não obstante ela é uma das gigantes de infraestrutura do oriente, fornecendo várias soluções de rede. As sanções, que proíbem empresas norte-americanas de venderem componentes para a ZTE por sete anos foi um golpe mortal, a empresa basicamente deixou de existir.

Ainda que os governos dos EUA e China estejam negociando uma saída para reverter a situação, o CEO da Tencent afirma (com certa razão) que o país não pode depender para sempre de componentes de empresas como Qualcomm, Intel e outras e é imperativo ter seu próprio parque de produção, para proteger os interesses da nação, tornando-a autossuficiente. E claro, a médio prazo a linha da Tencent poderia se tornar um dos maiores players do mercado global, batendo de frente com os gigantes já estabelecidos.

Ma diz que o baque sofrido pela ZTE é "uma lição" a ser aprendida, que por melhor que seja o sistema de pagamentos online da China (o que em breve se converterá no sistema de crédito social da China) não há como competir de igual para igual; sob sua visão, o país nunca será totalmente independente se não produzir seus próprios chips e semicondutores.

Pony Ma, CEO da Tencent

O que não deve ser esquecido aqui é o fato de que Ma, através da Tencent tem interesses próprios em tal empreitada: hoje o conglomerado é a maior companhia de investimentos do planeta, uma das maiores empresas de tecnologia e a maior e mais valiosa desenvolvera de games: para se ter uma ideia sua subsidiária Tencent Games detém o controle da Riot Games (League of Legends), Supercell (Clash Royale) e Grinding Gear Games (Path of Exile), além de possuir 40% da Epic Games (Fortnite, Gears of War, Infinity Blade e claro, a Unreal Engine), 11,5% da Bluehole Inc. (PlayerUnknown's Battlegrounds) e 5% da Ubisoft. No ramo de redes sociais, seu app WeChat e a rede social QQ são fortíssimos na Ásia, China principalmente.

Só que para Ma isso ainda é pouco. Não é novidade que a Tencent tenta de todas as formas expandir seus negócios, seja comprando outras companhias ou iniciando novos empreendimentos, e a queda da ZTE estaria sendo encarada como uma oportunidade perfeita para ocupar seu lugar; a diferença se dá no fato de não comprar componentes de fora e produzi-los do zero na China, uma ação inicialmente protecionista mas que no futuro poderá tornar o país um grande concorrente dos Estados Unidos e Japão (o Grupo SoftBank é proprietário da ARM).

E claro, com a Tencent enchendo as burras de dinheiro e se tornando uma empresa ainda maior no processo.

Fonte: Reuters.

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