ZTE é proibida de comprar componentes de empresas dos EUA por sete anos [UPDATE]

A ZTE se deu muito, muito mal. A companhia, a maior fabricante de dispositivos de telecomunicação da China está proibida de comprar componentes de quaisquer empresas dos Estados Unidos por sete anos, incluindo de fabricantes essenciais para smartphones como Qualcomm, Intel, Microsoft e Dolby, entre outras.

O veto imposto na última segunda-feira (16) foi uma resposta à infração cometida pela ZTE, em que ela furou as sanções impostas a países como Irã e Coreia do Norte e vendeu ilegalmente peças para ambos países. No acordo proposto em 2017, a companhia era obrigada a demitir quatro funcionários sêniores, que de fato rodaram e repreender e negar bônus a pelo menos outros 35 pelos atos ilegais, mas ao invés disso os primeiros receberam bonificações. No entendimento da justiça, a ZTE conscientemente praticou crime de espionagem industrial e forneceu tecnologia norte-americana a países com sanções norte-americanas impostas.

A ZTE, que é a fabricante chinesa que mais vende produtos nos EUA levou agora uma bordoada impiedosa: além de ser obrigada a pagar um total de US$ 1,19 bilhão em multas e penalidades, ela fica proibida por sete anos de fazer negócios com empresas de componentes do país, que limitará em muito suas capacidades de desenvolver novos dispositivos móveis. A proibição não impede a venda de smartphones no mercado norte-americano, apenas que eles contem com peças da Qualcomm, Microsoft e Intel, entre outras locais em qualquer outro mercado.

As consequências para a ZTE serão profundas: a Qualcomm fornece não só SoCs mas uma série de sensores, bem como modems para smartphones (e nessa ela perde um de seus principais clientes). A Intel da mesma forma vende diversos componentes mobile e boa parte dos modelos de ponta hoje contam com tecnologias de áudio e vídeo da Dolby. Em média, cerca de 25% a 30% dos componentes utilizados pela ZTE são provenientes dos Estados Unidos. O advogado Douglas Jacobson, que representa fornecedores da ZTE disse que a punição será “devastadora” para a empresa, dada sua dependência de componentes do país.

Ainda que a decisão seja proporcional à presepada cometida pela ZTE, a mesma deverá soar negativamente em Pequim e piorar ainda mais o clima entre os governos chinês e norte-americano, que já não anda lá uma maravilha.

Fonte: Reuters.


UPDATE: a situação pode ficar ainda pior para a ZTE. De acordo com uma fonte, a restrição aos componentes norte-americanos pode custar até mesmo a licença para utilizar o Android em seus aparelhos, com o Google entendendo que a companhia não mais seria capaz de atender às exigências da plataforma. A companhia chinesa estaria tentando negociar a manutenção da licença diretamente com a Alphabet Inc., mas tudo leva a crer que a holding do Google vai de fato mandar os chineses pastarem.

Sorte do dia: você não é o CEO da ZTE.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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