Mudanças nas políticas de privacidade do Steam acabam por matar o Steam Spy

O Steam acaba de passar por uma grande mudança que diz respeito a como os dados do serviço são coletados e usados por terceiros, que acabaram por inviabilizar uma ferramenta bastante útil: o Steam Spy, plataforma criada em 2015 que media a popularidade dos games oferecidos pela Valve, analisando desde vendas a usuários ativos.

Até ontem (10) as bibliotecas dos usuários do Steam eram públicas, qualquer um podia ver quais games todos possuem e o que estão jogando no momento, e dessa forma o Steam Spy utilizava um algoritmo capaz de contabilizar quantas cópias cada jogo vendeu, quem está jogando o quê num determinado momento (foi assim por exemplo que foi possível identificar o sumiço dos jogadores de No Man’s Sky apenas seis semanas após seu lançamento) e outras informações interessantes.

Porém, a Valve alterou as políticas de privacidade do Steam e mudou a forma como a plataforma lida com os dados dos usuários. Para começar o jogador poderá definir nas configurações quem poderá ver seus jogos, se todo mundo ou apenas amigos e decidir se oculta ou não a quantidade de horas consumidas nos títulos. no entanto, o que a Valve não disse é que bibliotecas dos usuários agora são ocultas por padrão.

Dessa forma, como explicado pelo Steam Spy a ferramenta não é mais confiável. Os dados que ela retornará, mesmo que boa parte dos usuários opte por tornarem suas bibliotecas públicas não refletirá a realidade de quão populares os games do Steam são, nem quanto tempo os jogadores consomem jogando. Assim, a plataforma informa que está interrompendo suas atividades e a menos que a Valve mude de ideia e decida oferecer o acesso em outros termos, ela não deverá voltar a funcionar.

A Valve diz que a mudança se deu para permitir que os usuários “sejam sociáveis à sua maneira”, mas sendo pragmático é uma forma da plataforma controlar ela mesma a grande quantidade de dados que possui a respeito de sua base instalada e games disponíveis, podendo talvez oferecer uma API de acesso a parceiros (mais ou menos como o Twitter deseja proceder); ao mesmo tempo, é quase certo que a companhia de Gabe Newell tomou tal decisão por não estar interessada em se envolver em um escândalo como o Facebook.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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