Nightfall in Middle-Earth — 20 anos depois

Quem diria, e lá se foram 20 anos. Em abril de 1998 a banda alemã Blind Guardian lançou um dos mais icônicos discos do Heavy Metal mundial. Nightfall in Middle-Earth chegou surpreendendo a todos e lançou a banda, que já era bem conhecida, ao estrelato mundial. O Blind Guardian começou sua jornada na estrada do Heavy Metal em 1988 com o lançamento do disco Battalions of Fear. O que tínhamos no disco era o típico power metal rápido e com um vocal esganiçado. Porém, ao longo dos próximos 5 discos a banca evoluiu absurdamente e já em 1995, com o disco Imaginations from the Other Side, encontramos um grupo maduro, extremamente técnico e executando um metal melódico com pitadas progressivas, alguns instrumentos medievais inusitados, fúria indescritível na bateria (cortesia de Thomas “Thomen” Stauch) e um vocalista (Hansi Kürsch) que investiu em estudos e agora era um dos melhores da cena pesada.

Porém, nada havia nos preparado para o lançamento de Nightfall in Middle-Earth. Duas coisas eram notórias com o vocalista Hansi Kürsch: o seu apreço pela banda Queen e seu amor pela história de O Senhor dos Anéis. E podemos encontrar as duas coisas nesse disco, pois várias levadas de vocais e fraseados de guitarra nos lembram a banda de Freddie Mercury. Mas,  O Senhor dos Anéis já era tema frequente em discos anteriores. Tivemos a majestosa The Lord of the Rings no disco Tales from the Twilight World (1990), e a clássica The Bard’s Song – In The Forest (sobre o livro O Hobbit) no disco Somewhere Far Beyond (1992). Porém, a banda decidiu ir além. Nightfall é um disco conceitual baseado no livro O Silmarillion de JRR Tolkien e nos leva pelo mundo da primeira idade da Terra Média e contando sobre a Guerra das Jóias.

O disco é composto por 22 faixas onde metade são músicas e as outras faixas são narrativas que complementam a história. O disco começa com War of Wrath, onde temos um diálogo entre Sauron e seu mestre Morgoth no fim da Guerra da Ira. Sauron aconselha seu mestre a fugir, mas Morgoth apenas o manda embora e começa a refletir como as coisas chegaram até aquele ponto. E é assim que começa a história no disco seguindo com a música Into The Storm que fala sobre Morgoth e Ungoliant, que fogem de Valinor depois de terem destruído as Duas Árvores e sua luta pela posse das Silmarils. Na sequência temos pedradas como Nightfall, Mirror Mirror, Time Stands Still (At the Iron Hill), When Sorrow Sang e The Dark Passage. E também faixas mais lentas e melodiosas como Noldor (Dead Winter Reigns), Thorn e The Eldar. A versão remasterizada lançada em 2007 trás uma música bônus chamada “Harvest of Sorrow, uma balada emocionante contando a história da lamentação de Túrin pela perda de sua irmã Niënor.

Na época do lançamento do disco foi muito difícil classificá-lo. As composições e o instrumental eram completamente diferentes de tudo o que a banda já havia feito e muito longe do que outras bandas estavam executando. Os próprios membros da banda falaram na época do lançamento que tiveram que reavaliar seu estilo e criar um novo caminho ao ver as letras escritas por Hansi Kürsch. O vocalista foi responsável por todas as letras do disco e as melodias foram criadas pelo vocalista em parceria com o guitarrista André Olbrich. O que esses dois tiraram da cartola foi o melhor disco da banda até hoje e um dos melhores discos de Metal de todos os tempos. No memento estou ouvindo a bolachinha no aparelho de som e não parece que tantos anos se passaram. Se você não conhece o disco é só dar uma olhada no Spotify ou comprar uma cópia da versão remasterizada de 2007 disponível no Mercado Livre. Destaque final para a linda arte da capa onde temos a representação da dança de Lúthien na frente de Morgoth.


lapjo666 — Blind Guardian- Mirror Mirror

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams "Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio".

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