MIT apresenta curioso headset capaz de “ouvir” a mente do usuário

Arnav Kapur, pesquisador do time de Interfaces Fluídas do Laboratório de Mídia do MIT demonstra seu projeto, o AlterEgo

Um time de pesquisadores do Laboratório de Mídia do MIT, especializados em Interfaces Fluídas apresentou nesta semana um interessante porém incomum dispositivo vestível: o AlterEgo é um headset que capta comandos do usuário sem que ele precise dizê-los, ao que muita gente anda chamando de “leitura da mente”.

Claro, não é bem assim que acontece embora haja um fundinho de verdade nessa afirmação.

O acessório em questão, projeto do pesquisador e assistente de pesquisa Arnav Kapur (ex-Harvard, onde ele desenvolveu uma plataforma para medir níveis de expressão de genes em humanos) consiste de um headset com eletrodos aplicados diretamente no rosto, especificamente no queixo, mandíbula e atrás da orelha. Ele é preparado para captar sinais emitidos pelo usuário através da subvocalização, um hábito que é reforçado nas pessoas no processo de alfabetização.

Chamado também de “voz silenciosa”, ele é basicamente um ato em que os músculos da língua e consequentemente do rosto inteiro são ativados quando fazemos uma leitura em silêncio, porque fomos condicionados a falar quando lemos; assim, mesmo quando você está lendo um livro sua língua e rosto se movem, mesmo que minimamente como para reproduzir aqueles sons; estamos sempre “falando em voz alta” mesmo quando quietos, e o AlterEgo é desenvolvido para identificar esses movimentos.

O headset é capaz de ler os movimentos, traduzi-los e retornar comandos por meio de Inteligência Artificial, e num primeiro momento ele permite ações simples como jogar xadrez, fazer contas básicas e informar as horas, entre outras. Por fim ele utiliza um alto-falante de condução óssea para transmitir as opções de comando e/ou resultados, dispensando completamente os fones de ouvido.


MIT Media Lab — AlterEgo: Interfacing with devices through silent speech

Segundo os pesquisadores, o AlterEgo atingiu uma taxa de acerto de 92% ao traduzir as palavras, num grupo de dez pessoas que o utilizaram por 15 minutos e depois mais 90 minutos para fazer contas. Segundo Kapur, o objetivo é desenvolver uma plataforma de comunicação mais interna, de modo a fundir homem e máquina ao fazer do headset uma espécie de extensão de nossa própria cognição, atuando de forma semi-independente. Por isso mesmo o nome “AlterEgo”, ou “outro eu”.

O AlterEgo está em fase preliminar de testes e talvez nem venha a se tornar um produto final, mas a pesquisa da equipe de Kapu pode levar a outras aplicações de leitura de subvocalização, principalmente em soluções médicas. Você confere o artigo aqui (cuidado, PDF).

Fonte: MIT.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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