Twitter adia implementação de API que pode matar apps de terceiros

O Twitter tem planos nada legais para desenvolvedores e usuários de clientes terceiros da rede social: uma nova API pretende limitar enormemente o acesso a recursos cruciais, como streaming automático da timeline e até mesmo notificações Push, o que em tese pode matar todos eles.

No entanto, após pressão dos devs e do público o Twitter adiou de forma indefinida seus planos, o que necessariamente não quer dizer que ela não será implementada em algum momento.

Eis o que acontece: clientes Twitter de terceiros fazem uso hoje de uma APIs pública da plataforma, que permite o streaming de conteúdo e que viabiliza a manutenção dos mesmos. Esse streaming nada mais é do que um canal de dados contínuo que emite a atualização automática da timeline, bem como notificações de menções, respostas e mensagens diretas.

Esses clientes usam o streaming de dados de duas maneiras: o aplicativo atualiza a timeline automaticamente a medida que recebe novos dados, ou os servidores dos clientes repassam diretamente os alertas de mensagens originais para seu dispositivo, através das notificações Push. O problema é que essa API específica está para ser descontinuada, com o Twitter introduzindo uma nova chamada Account Activity API, que em tese faria a mesma coisa.

Digo isso porque não só o Twitter ainda não abriu o acesso da API a desenvolvedores de apps terceiros, como no modelo básico ele só permite o acesso a míseras 35 contas, e não deu detalhes de preço ou quantas contas vai liberar na modalidade Enterprise. Desnecessário dizer que boa parte desses clientes contam com dezenas de milhares de usuários e tal número não faz nem cócegas. E para piorar, a rede social pretendia implementar as mudanças já no dia 19 de junho.

A iniciativa Apps of a Feather busca apoio dos usuários

Tudo leva a crer que se tratava de um movimento calculado do Twitter para matar todos os clientes de terceiros (o que ironicamente atomizaria até mesmo o Tweetdeck, que é uma solução própria) em prol do oficial, por um motivo simples: nenhum deles exibe as campanhas publicitárias do popular site de microblogs™ e por causa disso, estariam fazendo a empresa perder dinheiro. Outras interações do Twitter, entendidas como essenciais como os Moments, a timeline não-cronológica (tanto a opção que pode ser desativada quanto o “Talvez você tenha perdido”) e notificações sobre o que outras pessoas andam fazendo também não são replicados por esses clientes.

Alguns desenvolvedores se uniram contra a mudança: os responsáveis pelos clientes Talon, Tweetbot, Tweetings e Twitterrific lançaram a iniciativa Apps of a Feather, de modo a conscientizar os usuários e contar com a ajuda deles para não deixar que seus apps tenham um amargo fim: a ideia é fazem com que os mesmos exijam que o Twitter se posicione sobre qual será o impacto da mudança para o usuário final, através da hashtag #BreakingMyTwitter e ao mesmo tempo atrair outros desenvolvedores, enquanto pressiona a rede para que ela esclareça como a modalidade Enterprise na nova API vai funcionar e libere o acesso prévio.

E ao que tudo indica, a pressão gerou frutos:

O Twitter se comprometeu a oferecer um período de 90 dias para os desenvolvedores testarem a nova API e tirarem todas as suas dúvidas, e dessa forma a implementação foi adiada por tempo indeterminado. Não há informes de quando o acesso será liberado, mas de qualquer forma é fato que o acesso será bastante limitado se comparado com a API atual. E como valores não foram ainda divulgados, é possível que a modalidade Enterprise seja inviavelmente cara para manter os clientes vivos, mesmo os pagos e caros como o Tweetbot.

No mais só nos resta esperar, mas pelo menos a pressão rendeu uma resposta do Twitter.

Fonte: TechCrunch.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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