Facebook admite que monitora automaticamente todas as conversas do Messenger

Como se o Facebook já não tivesse problemas demais com a polêmica envolvendo a Cambridge Analytica, que fica maior a cada dia que passa a rede social admitiu que faz uma checagem automática do conteúdo de todas as mensagens compartilhadas pelo Messenger, seu app de mensagens instantâneas.

A presepada foi cometida pelo próprio CEO Mark Zuckerberg, ao deixar escapar em entrevista concedida à Vox na última segunda-feira (02) que todas as mensagens são verificadas, ou  “escaneadas” segundo o executivo. Ele fez tal afirmativa ao ser perguntado como o Facebook lida com conteúdos como de mensagens compartilhadas em Myanmar, a respeito dos crimes de limpeza étnica cometidos contra o povo rohingya; Zuck diz que o sistema da companhia “detecta o que está acontecendo” quando pessoas tentam enviar mensagens com temas sensíveis, e “as impede de serem entregues”.

Ontem (04) um porta-voz do Facebook deu mais detalhes de como o algoritmo do Messenger funciona, mas confirmou a fala de Zuckerberg ao admitir que sim, o sistema verifica todas as mensagens compartilhadas. Tal verificação, que segundo a rede social não é feita por humanos é empregada de modo a garantir que os usuários não infrinjam os Termos de Uso da plataforma, mas que só entra em ação quando identifica fotos, vídeos os links problemáticos sendo compartilhados.

O porta-voz ilustrou o exemplo de compartilhamento de uma foto: ao enviar a mensagem o Messenger faz uma varredura utilizando tecnologia de reconhecimento, de modo a detectar conteúdos como pedofilia e outras coisas que não são permitidas, e em caso positivo a mensagem é barrada. O mesmo é feito com links, de modo a descobrir se não é um endereço já manjado por espalhar malwares. O Facebook JURA que não utiliza o algoritmo do Messenger para exibir anúncios direcionados nem vende os dados do app para terceiros, mas a essa altura do campeonato fica difícil acreditar.

Claro que isso diz respeito apenas às conversas que não são protegidas por criptografia ponta a ponta, que diferente do WhatsApp (também pertencente ao Facebook) é opcional e não obrigatória por padrão; se os usuários ativarem a opção de conversas seguras assim como o Telegram oferece, o algoritmo não mais é capaz de verificar o conteúdo das conversas para o bem e para o mal. Assim existem opções, mas fica o usuário ciente de que uma conversa aberta será monitorada independente do conteúdo.

Fonte: Bloomberg.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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