Where the Water Tastes Like Wine e os riscos de se tornar um indie

Com alguns jogos independentes tendo se tornado enormes sucesso, existe a impressão de que basta um desenvolvedor pequeno surgir com uma ideia diferente para o desempenho comercial da sua criação estar garantido. Some a isso um título com uma direção artística muito bonita e a atenção da mídia para reforçar a ideia que o dinheiro começará a entrar facilmente nos cofres dos criadores, mas infelizmente a realidade não é bem assim.

Desenvolvido pela Dim Bulb Games e publicado pela Good Shepherd Entertainment, Where the Water Tastes Like Wine é um adventure focado na narrativa, onde o jogador viaja pelos Estados Unidos ouvindo as mais variadas histórias e conhecendo diversos mitos e o folclore local. Podendo ser descrito como um jogo artístico, onde nem todos conseguirão aproveitar o que ele tem a oferecer, era de se imaginar que o grande público passaria longe do título, mas não a ponto dele estar se mostrando um grande fracasso.

Quem revelou o problema foi Johnnemann Nordhagen, programador que trabalhou na Sony, no BioShock 2 e no Gone Home, mas que hoje atua como chefe do estúdio e que em um tocante texto falou sobre a decepção que o jogo tem sido quando se trata das vendas.

O jogo não se saiu tão bem quanto eu esperava. Com toda a atenção e especialmente as premiações, presumi que se ele falhasse em encontrar um público, ao menos seria reconhecido pela imprensa como algo empolgante. Comercialmente, é um desastre. Não posso revelar os números exatos, mas nas primeiras semanas menos pessoas compraram o jogo do que tenho seguidores no Twitter e eu não tenho muitos seguidores no Twitter (no momento isso seria menos do que 4.500 cópias).

 

Eu não sei como tocar um negócio, como estruturar contratos, como dirigir dubladores, como comercializar um jogo, como me aproximar de acordos de negócios ou como gerenciar funcionários contratados. Eu nem mesmo penso que conhecia o termo ‘design narrativo’ quando inicie este projeto. Infelizmente, passei a aprender sobre o quanto tinha a saber quando estava ficando sem dinheiro para contratar especialistas para ajudar e tive que enfrentar sozinho a maioria do que está acima.

E por falar em dinheiro, Nordhagen revelou também que até agora não ganhou um centavo com a sua criação, sendo que US$ 140 mil foram gastos na produção que levou mais de quatro anos para ser concluída. É claro que esse cenário poderá mudar com o tempo, mas como a época de lançamento é quando um jogo tem mais chance de faturar, podemos dizer que o game designer está em apuros.

Algumas pessoas poderão até achar que o relato não passa de mimimi, mesmo porque nem a crítica foi unânime em relação ao Where the Water Tastes Like Wine, mas acredito que o depoimento de Nordhagen serve como alerta a todos aqueles que planejam entrar para a indústria como um desenvolvedor independente. Esse é um ramo duro, onde nem as melhores ideias, nem toda a experiência do mundo é garantia de que um jogo venderá bem.

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Autor: Dori Prata

Pai em tempo integral do pequeno Nicolas, enquanto se divide escrevendo para o Meio Bit Games, Techtudo e Vida de Gamer, tenta encontrar um tempinho para aproveitar algumas das suas paixões, os filmes, os quadrinhos, o futebol e os videogames. Acredita que um dia conseguirá jogar todos os games da sua coleção.

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