Lytro confirma o fim da empresa e possível aquisição pelo Google

Todo mundo que acompanha o mundo da fotografia já deve ter ouvido falar da Lytro. A empresa apareceu no mercado em 2006 com uma promessa inovadora. Baseado no trabalho de pós-graduação do fundador da empresa em Standford, as câmeras de campo de luz traziam a possibilidade de trabalhar o foco da imagem posteriormente à sua captura. A lente e o sensor da câmera captavam todas as direções de raios de luz na imagem e, posteriormente, via software proprietário da empresa você poderia escolher o foco da imagem e, consequentemente, brincar com a profundidade de campo da imagem.

A primeira câmera foi lançada apenas em 2011 e parecia um brinquedo. Era apenas uma caixinha com uma lente na frente. Foi o suficiente para trazer investidores para a empresa e o sonho de que grandes coisas poderiam ser feitas. Porém, o consumidor final não ficou muito animado em pagar US$ 400,00 no equipamento e ter que usar um navegador web para ver os efeitos diferenciados da foto. Em 2014 a Illum chegou ao mercado. O equipamento tinha mais cara de câmera, mas o preço de lançamento foi de US$ 1600,00. Embora a empresa tenha aberto o código do programa de visualização das fotos e feito algumas parcerias, o modo de ver as fotos do equipamento ainda era, basicamente, via navegador web.

As tentativas de emplacar a câmera não deram certo e em 2016 a empresa deu uma virada e mudou tudo. Nesse momento a Lytro estava investindo em uma câmera de cinema profissional com resolução de 755 megapixels, filmagem em 40K e taxa de 300 quadros por segundo. Uma jogada ambiciosa que também não deu certo.

Agora a empresa jogou a toalha. Alguns dias atrás correu o boato de que a Lytro estava sendo adquirida pelo Google pela bagatela de US$ 40 milhões. Muito triste para uma empresa que conseguiu levantar investimentos de US$ 255 milhões e já teve valor de mercado de US$ 355 milhões. Semana passada a empresa publicou oficialmente em seu blog que tudo estava sendo terminado, mas não falou nada do envolvimento do Google no negócio. Parte do anúncio oficial diz:

Tem sido uma honra e um prazer contribuir para as comunidades do cinema e da Realidade Virtual, mas a partir de hoje não estaremos assumindo novas produções ou prestando serviços profissionais enquanto nos preparamos para encerrar a empresa. Estamos empolgados para ver as novas oportunidades que o futuro traz para a equipe da Lytro ao seguir caminhos separados.”

Uma fonte interna disse ao Dpreview que os “caminhos separados” de que fala o anúncio seria na verdade a contratação pelo Google. O acordo não seria necessariamente de compra da empresa, mas da contratação da mão de obra especializada que trabalhou no desenvolvimento dos equipamentos da Lytro. O Google não se manifestou e, provavelmente, nem vai falar nada sobre o assunto.

Fim triste para uma empresa que prometeu muito, entregou pouco e agora vai cair no esquecimento.

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams "Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio".

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