Programa Brasileiro na Antártica entrando numa fria (DSCLP)

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AVISO: para melhor apreciar este texto abra este link com a trilha sonora recomendada.

O Brasil, você sabe, conseguiu a proeza de perder uma base para um incêndio em um continente basicamente coberto de gelo. Isso foi em 2012, e a reconstrução vem sendo empurrada com a barriga: agora, com sorte, a nova base deve ficar próxima até o final do ano que vem, a um custo de mais de US$ 121 milhões.

Só tem um problema: não há verba pra pagar os cientistas desse e de outros projetos.

Segundo apurou a Galileu, em 2013 o governo lançou um edital para bancar os custos de pessoal na Antártica até 2016, onde seria feito um novo edital. O valor em 2013 foram “incríveis” R$ 19 milhões, o que convenhamos é troco de pinga. Chegou 2016 e você soltou o tal edital? Pois é, nem o governo.

A explicação: a Base, a infra é bancada pelo Ministério da Defesa. Já o pessoal de pesquisa é bancado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (é, mudou de novo). Você sabe, aquele Ministério que já foi comandado por um sujeito que tentou promulgar uma Lei criminalizando Inovação, e que hoje é capitaneado pelo notório baluarte da Ciência Gilberto Kassab.

A nossa presença lá aliás não tem nada de “We ❤ Science”. Nós montamos uma presença científica por ser exigência do Tratado da Antártica, de 1961 e que nós assinamos em 1975. Sem essa presença perderemos o direito de explorar comercialmente o território no futuro.

Agora a quase inexistente verba está minguando, e não vai dar nem pra bancar o pessoal na Criosfera 1, esse puxadinho que o Brasil construiu mais pro interior.

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Depois de muita pressão o Ministério diz que liberou R$ 7 milhões pros próximos três anos, ou seja: quase 3 vezes menos do que o liberado cinco anos atrás. Quais as chances de servir pra alguma coisa? O jeito vai ser cortar pesquisas, mandar menos gente e mais estagiários.

Só pra lembrar, o governo gastou em 2017 R$ 814,2 milhões com auxílio-moradia, entre beneficiários dos Três Poderes e agregados. E R$ 66 bilhões entre Copa e Olimpíada.

Pensando bem, a gente não somos inútil, a gente semo é muito otário mesmo.

Fonte: Galileu.


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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e para seu blog pessoal, o Contraditorium,

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