YouTube vai “frustrar e seduzir” usuários para promover futuro serviço por assinatura

O YouTube promete um serviço de streaming de música por assinatura há algum tempo, mas aparentemente as coisas estão entrando nos eixos: chamado Remix, ele seria lançado para bater de frente com Spotify, Apple Music e outros e ao mesmo tempo conter a maior reclamação das gravadoras, que é pagar mais dinheiro: a ideia seria integrar músicas com vídeos, oferecer recursos de execução como de outros players e outras coisinhas, como consumo de mídia sem anúncios. De certa forma ele combinaria o YouTube Red e o Google Play Music numa coisa só.

O grande problema reside em como convencer o usuário do YouTube a abrir a carteira, visto que ele tem quase tudo à mão de graça (fora a execução de áudio com a tela desligada, claro). A solução apresentada por Lyor Cohen, executivo-chefe de Música do YouTube e um profissional de carreira da indústria musical, com mais de 30 anos de história e que hoje preside o ramo norte-americano de gravações da Warner Music é bem simples: adicionar dificuldades para vender comodidades.

De acordo com Cohen, uma parcela dos usuários da plataforma verá mais anúncios a cada execução, de modo a “frustrar e seduzir” o consumidor (palavras dele, ipsis litteris e acrescentou: “você não vai gostar de receber um anúncio logo depois de ouvir Stairway to Heaven”); assim, o usuário se cansaria da modalidade gratuita e assinaria o Remix. Ao mesmo tempo, de acordo com o executivo todo o “ruído” de pessoas e artigos argumentando que o YouTube causa danos à indústria fonográfica, com o serviço pagando menos do que as gravadoras desejam vai sumir. Seria matar dois pássaros com uma só pedra.

Pouco depois de Cohen conceder entrevista ao site Bloomberg, um porta-voz do Google declarou que nem todos os usuários seriam atormentados com tal estratégia, e que os algoritmos do YouTube identificariam aqueles que fazem uso dela plataforma como um serviço de streaming de música pago; estes veriam a quantidade de propagandas aumentar de tal forma que manter a modalidade gratuita deixaria de ser interessante; da mesma forma que muitos fazem quando assinam o Spotify: para se livrar das propagandas que empurram conteúdos nada a ver com seu gosto musical.

O YouTube Red, com quase três anos de idade não foi lançado em mais do que cinco países e o Google Play Music nunca pegou tração, logo uma fusão dos dois no Remix seria interessante por se basear na base instalada dos usuários (a ideia é lança-lo globalmente) e concorrer com outros serviços de música, mas as chances de meterem os pés pelas mãos e entupirem o serviço gratuito de anúncios é grande.

Claro, sempre há alternativas para contornar tais estratégias mas nem todo mundo irá adota-las, logo é possível que a jogada do YouTube acabe dando frutos.

Fonte: Bloomberg.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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