FBI prende CEO por vender smartphones BlackBerry customizados para criminosos

A casa caiu para a Phantom Secure, uma companhia especializada em vender smartphones customizados com camadas extras de segurança: em uma ação conjunta com as polícias australiana e canadense, o FBI prendeu o Vincent Ramos por vender dispositivos BlackBerry modificados para grupos criminosos de alta periculosidade, como o Cartel de Sinaloa e os Hell’s Angels.

De acordo com documentos fornecidos pela Corte Distrital do Estado da Califórnia e entrevistas com fontes anônimas, a Phantom Secure mantém contatos com grupos criminosos e sabe exatamente para quem está fornecendo seus produtos: tanto Ramos como outros funcionários  da empresa estavam cientes de que os BlackBerries extra seguros seriam utilizados para atividades ilegais e os dotaram de uma série de recursos convenientes.

Por exemplo, os dispositivos BlackBerry não contam com funções padrão de conectividade, câmeras e microfones ativos por padrão e uma versão customizada do Pretty Good Privacy (PGP), um software de criptografia foi incluído para garantir a confidencialidade dos dados compartilhados entre os membros dos grupos. Segundo a investigação do FBI, a Phantom Secure também permitia que os usuários apagassem remotamente a totalidade dos dados dos aparelhos, de modo que a comunicação não pudesse ser rastreada.

Ramos e a Phantom Secure foram pegos porque todos os envolvidos não eram discretos, algo mortal para tal atividade. De acordo com investigadores infiltrados na empresa os clientes utilizavam e-mails chamativos como “Leadslinger”, “trigger-happy”, “knee_capper9” e até mesmo “the.cartel”, o que demonstra a clara sensação de impunidade por parte dos meliantes.

Por outro lado, funcionários teriam admitido aos investigadores disfarçados de que os aparelhos permitiriam tranquilamente o transporte de ecstazy dos EUA para Montreal. Nos autos há um registro do próprio Ramos, em que ele diz com todas as letras a um infiltrado que “nós fizemos esses aparelhos especificamente para isso (tráfico de drogas)”.

Seria hilário se não fosse esta uma situação absurda e ridícula, com os acusados certos da impunidade fornecendo de bandeja todos os meios para serem enquadrados com vontade pelo FBI, porém…


renault1984 — What the heck, I’ll laugh anyway

Segundo a força-tarefa, a Phantom Secure não seria a única companhia a fornecer smartphones extra seguros para cartéis de drogas e outros criminosos, e tal situação coloca mais lenha na fogueira da criptografia: o Bureau defende com unhas e dentes que companhias como Apple e Google quebrem a segurança de seus dispositivos e forneçam os meios para que os federais e órgãos de segurança voltem a ter acesso irrestrito aos dados dos usuários, posição defendida pelo Departamento de Defesa dos EUA e pelos governos britânico e australiano.

No Brasil, a situação é semelhante (aqui e aqui) e embora as discussões estejam atualmente paradas, o entendimento geral é de também forçar as companhias e principalmente empresas que mantém apps de mensagens a abrirem a porteira. Claro que os bons exemplos não vêm de cima, mas isso não vem ao caso.

Fonte: Motherboard.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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