O inferno vai congelar: FIFA pode autorizar árbitro auxiliar de vídeo para a Copa da Rússia

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A gente vem batendo na tecla há tempos que em termos de esporte e tecnologia, a FIFA faz questão de manter as regras e recursos do futebol quase que inalterados desde seu estabelecimento como desporto profissional, há mais de um século. Facilidades como ponto eletrônico, telas para o juiz conferir lances duvidosos e outras coisas que a tecnologia trouxe e que tornaram outros esportes competitivos mais justos tão praticamente tabus no esporte bretão, porque a “ONG” com bilhões em caixa assim quer.

Só que a FIFA não é a única organização de futebol do planeta, a IFAB (International Football Association Board) é um órgão que organiza as regras do esporte e autoriza usos de recursos e tecnologia para as ligas e associações implementarem. No último sábado o conselho decidiu, por unanimidade pela inclusão do replay de vídeo para ajudar na resolução de lances polêmicos, já para a Copa do Mundo que será realizada neste ano na Rússia; o sistema deverá ser utilizado pelo Auxiliar de Arbitragem de Vídeo (ou VAR, como é conhecido) e é uma funcionalidade que outras modalidades usam faz tempo, mas só agora está chegando ao futebol.

A motivação para tal decisão não é ser bonzinho: a IFAB vê a iniciativa como uma forma de incentivar emissoras, patrocinadores e empresas de tecnologia a investir no recurso, tanto na gestão das partidas em si quanto na transmissão. No entanto, a visão dos cartolas da FIFA é que utilizar o recurso de replay em vídeo “atrapalha o ritmo das partidas”. O presidente Gianni Infantino defende a introdução da tecnologia, dizendo que testes em mais de mil jogos provaram que a decisão do árbitro ficou mais precisa com as telas em campo, com o percentual de erros caindo de 7% para 1,1%.

Ainda assim não é garantido que os replays em vídeo de fato serão utilizados na Copa, a decisão precisa ser votada pelo conselho da federação e a previsão é que isso ocorra no dia 16 de março. Há uma ideia de que “o erro (de arbitragem) faz parte do futebol”, o que não faz o menor sentido mas muitos, dirigentes e membros da FIFA defendem como a norma a ser mantida, mas na opinião de Infantino “se houver algo que possa ser feito para evitar que a Copa do Mundo seja decidida por um erro, é nosso dever agir”.

De qualquer forma, só saberemos se vamos ou não ver os auxiliares de vídeo em campo na Copa nas próximas semanas.

Fonte: IFAB via BBC.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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