O terror em estado bruto

Imagine-se de madrugada, perdido no meio do mato em um país onde você não fala a língua local e após presenciar um brutal assassinato. Se este cenário já não fosse o suficiente para entrar em estado de choque, o lugar ainda emite horríveis sons e você precisa ficar longe de mortos que teimam em descansar.

Essa situação improvável pode ser vivida em um videogame e após dedicar algumas horas ao Siren: New Translation, tive a nítida sensação de estar correndo pelas florestas de Blair, de ser o protagonista de uma história de Hiroshi Takahashi ou de fazer parte de uma inusitada fusão entre a obra de George A. Romero e Takashi Shimizu.

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Pisar em Hanuda é ser exposto a diversas lendas e mitos orientais, é ter o batimento cardíaco quase sempre acelerado e temer por cada passo dado. Ao contrário dos outros jogos do estilo survival-horror, este jogo não deixa muito espaço para falhas, e na maioria do tempo você não estará procurando mais munição para um lança-míssil e sim um lugar para se esconder.

Nele não adianta bancar o herói e em boa parte das situações propostas, será mais inteligente fugir do que partir para cima dos Shibitos, uma espécie de zumbi que continua as tarefas de quando era vivo, como trabalhar numa mina ou semear sua plantação, mas que possui sede de sangue e que mesmo após derrubados voltarão para lhe perseguir após um certo tempo.

dori_sir_17.11.09-2 Siren conta sua história através de sete personagens distintos e bastante carismáticos, cada um deles possuindo um motivo para estar naquele horrendo lugar, mas que dariam tudo para sumir dali. O jogo é dividido em 12 episódios, mostrados como se fosse uma minissérie, inclusive com os tradicionais “No próximo capítulo” e “Anteriormente…”, algo muito legal e que torna a experiência mais fluída.

Todo o jogo foi planejado para levar o maior realismo possível, contando com muitos arquivos que complementam o enredo, como vídeos feitos através da câmera de um dos personagens e até mesmo um blog contando o dia-a-dia de um dos protagonistas.

Eu poderia ficar aqui por horas descrevendo a boa qualidade gráfica do jogo, como os sons ajudam a criar o absurdo clima de tensão ou o quanto a jogabilidade não está a altura do resto do game, contudo, prefiro lhe dizer que embora eu tenha adorado o terror psicológico da série Silent Hill e os sustos rasteiros do Fatal Frame, foi com Siren: New Translation que eu realmente temi pela vida dos personagens que controlava e apenas nele eu percebi o quanto seria assustador estar na situação proposta por alguns filmes/games. Espere até controlar uma garotinha de 10 anos perdida em um hospital pra lá de macabro e você entenderá o que estou dizendo.

dori_sir_17.11.09-3 Se você tiver a oportunidade de jogá-lo, talvez não se sinta tão incomodado quanto eu, mas como, desde o início, eu me deixei levar pela proposta do jogo e tentei me sentir o mais imerso possível, sou obrigado a admitir que está sendo bastante perturbador passar por algumas partes.

Repleto de situações grotescas e que fariam até o maior machão borrar as calças, Siren: New Translation é daqueles jogos para apreciarmos cada momento, mesmo que eles sirvam apenas para aumentar nossa adrenalina através do simples ato de nos meter medo e nesse aspecto o jogo cumpre perfeitamente seu papel.

 

Autor: Dori Prata

Pai em tempo integral do pequeno Nicolas, enquanto se divide escrevendo para o Meio Bit Games, Techtudo e Vida de Gamer, tenta encontrar um tempinho para aproveitar algumas das suas paixões, os filmes, os quadrinhos, o futebol e os videogames. Acredita que um dia conseguirá jogar todos os games da sua coleção.

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