Tencent, a grande parceira de quem deseja lançar games na China

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A Tencent é hoje a décima maior companhia no planeta no geral, uma gigante que estende seus tentáculos para os mais diversos setores, de telefonia e internet a coleta de dados e vigilância, e sem muita surpresa também possui uma forte presença no mercado de games. Também pudera, ela é efetivamente a maior empresa do mercado e conta com duas vezes mais receita que a segunda colocada, a Sony e não só é dona da Riot (League of Legends) como detém ações de empresas como Supercell (Clash Royale: por possuir 84,3% das ações, a Tencent é a controladora da empresa) Frontier (Elite: Dangerous), Glu Mobile, Robot Entertainment (Orcs Must Die!), Epic Games e outras. E estava até pouco tempo atrás em vias de comprar a Rovio.

Os motivos para a Tencent ter se tornado a gigante que é são vários, e um deles é o apoio irrestrito do governo chinês: sendo o mercado um tanto protecionista, ele privilegia enormemente ela e outras companhias locais, tal como sua rival direta Alibaba, e um dos métodos são as regras para a instalação de empresas estrangeiras, que para lançar seus produtos no país devem fechar acordos localmente ou nada feito. Claro que há exceções: mastodontes como Apple, Google e Microsoft gozam de certos privilégios que a Embraer por exemplo não teve, mas divago.

Isso se estende para desenvolvedoras de games da mesma forma: a Blizzard, de modo a lançar Overwatch e World of Warcraft no País do Meio teve que assinar um contrato com a local NetEase, a mesma que garantiu um acordo com a Niantic e The Pokémon Company para viabilizar o lançamento de Pokémon GO; a Tencent conseguiu clientes igualmente suculentos, a Ubisoft e a LEGO.

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Skyward, da Ketchapp (propriedade da Ubisoft) foi acusado de ser uma cópia de Monument Valley; tirem suas próprias conclusões

Ambas as companhias visam estender o alcance de seus produtos na China especificamente em conteúdo mobile, e a Ubisoft a fará através da desenvolvedora subsidiária KetchApp; esta, adquirida em 2016 é responsável pelos títulos Skyward, Hoverdoard Rider e 2048, e segundo consta possui um histórico de copiar ideias alheias mas de qualquer forma, estes e outros títulos serão disponibilizados para os chineses através do app Weixin, o equivalente local do WeChat. Com 980 milhões de usuários mensais, é seguro dizer que a plataforma já possui um público cativo para o consumo de games.

E antes que alguém ache tal estratégia estranha, a Tencent vem tentando fechar uma parceria com o Snapchat para o mesmo fim: fornecer seus games dentro do app. E como ela possui 12% do Snap…

Já a LEGO, a maior fabricantes de brinquedos do mundo quer aproveitar o crescimento que experimentou no mercado local com produtos físicos em detrimento da queda no resto do mundo, mas experimentando o mercado mobile. A ideia é criar uma plataforma de vídeos dentro do ecossistema da Tencent, onde seus games licenciados serão distribuídos. O sistema seria seguro para crianças, permitindo o compartilhamento de conteúdo entre os usuários e é também uma maneira de expandir seu alcance no mercado de brinquedos local, avaliado em US$ 31 bilhões e bater de frente com Mattel e Hasbro.

De qualquer forma, a Tencent está não só permitindo que grandes companhias explorer o mercado de games mobile na China como aos poucos estuda meios para se expandir, pois é sabido que ela pretende assumir uma posição mais agressiva no ocidente. No fim ela é a mais privilegiada.

Fontes: Gamasutra e Reuters.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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