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O que a Índia tem em comum com o Brasil? A Nintendo também nunca esteve lá

Se você acha ruim o Brasil ainda não ter representante oficial da Nintendo, acredite: na Índia, a situação é bem pior. A fabricante japonesa ignora o mercado indiano há pelo menos 30 anos. E tem seus motivos.

2 anos atrás

Ainda tem muita gente lamentando o fato de a Nintendo ter “saído” do Brasil, sendo que a japonesa nunca esteve de facto no país: a Big N quase sempre esteve presente no Brasil através de representantes. Bom, podia ser pior.

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Versão Mattel do Nintendinho (crédito: Matthew Paul Argall)

Há países em que somente uma ou mesmo nenhuma das grandes fabricantes de consoles estão presentes para distribuir de forma oficial os aparelhos e jogos. Tem sido o caso da Índia quanto a fabricante japonesa: o último console da Nintendo lançado oficialmente por lá foi o NES, no final da década de 80.

O responsável pela única representação indiana da Nintendo foi um distribuidor local chamado Samurai. Mesmo com lojas espalhadas pelo país, infelizmente tal representante mal conseguia vender de 200 a 300 unidades por mês do Nintendinho. O vilão era aquele mesmo, o preço mais elevado que o do mercado cinza.

Chegou a chance de distribuir o SNES e nem o Samurai e nem mais ninguém quis representar a Nintendo por lá. Nem mesmo quando o mercado indiano abriu as portas para empresas estrangeiras poderem (re)estabelecer filiais locais, em 1993. Dois anos depois, no início da quinta geração de consoles (32 bits), a Shaw Wallace Electronics se comprometeu a representar a SEGA na Índia. E, claro, fracassou: como vender Mega Drive oficial se o mercado cinza oferecia o primeiro PlayStation a preço semelhante e com aquela pirataria marota?

Não deu outra: por muito tempo, os gamers indianos conviveram com a pirataria, mercado cinza e… clones.

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Little Master, uma versão pra lá de alternativa do NES (crédito: Supriyaa Uthaiah)

Corta para outubro de 2006: buscando novos mercados, a Microsoft lança o Xbox 360 de forma oficial na Índia. Em resposta, seis meses depois a Sony local decide lançar o PlayStation 3 no país. Com o sucesso estrondoso do Wii e presença forte das concorrentes, na época poderíamos apostar que a Nintendo voltaria a ter representação naquele país, certo?

Errado. Mesmo com o Nintendo Wii vendendo muito bem pelo mundo, na Índia o console só chegou por meio de contrabando mesmo. Veio a oitava geração e tanto a Microsoft quanto a Sony conseguiram lançar Xbox One e PlayStation 4 na Índia nas primeiras levas, enquanto a Nintendo não tomou nenhuma atitude quanto a tal mercado. E aparentemente não o fará tão cedo.

Veja bem, com o sucesso do Switch nestes primeiros nove meses de vendas, gostaríamos de imaginar que a Nintendo investirá em novos mercados. Deu certo com o PS4, console da Sony que tem uma logística invejável e está presente em no mínimo uma centena de mercados mundo afora: o PlayStation 4 não só fez bastante sucesso nos mercados maiores como está presente de forma oficial, mesmo que timidamente, em mercados pequenos como a Índia.

Sim, apesar de a Índia possuir mais de um bilhão de habitantes, ela é considerada um mercado pequeno para consoles. No caso da Sony, a filial local estima uma base instalada de aproximadamente 250 mil consoles e isso incluindo o mercado cinza. No Oriente Médio, por exemplo, o PS4 ultrapassou um milhão de consoles. Em 2015.

Mesmo forte, a Microsoft local tem dificuldades em vender o Xbox One na Índia. Depois de 30 anos ignorando o mercado indiano, por que a Nintendo se arriscaria a voltar lá?

Retornando ao Brasil, outro mercado onde a Nintendo nunca esteve de facto, não temos números exatos nem oficiais das vendas de consoles, mas o mercado de games aqui é bem maior que o da Índia. Então podemos ter esperança ao vermos o Brasil como região no site oficial da Nintendo, certo?

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O tio Laguna não consegue ser assim tão otimista. Nosso país tem uma carga tributária tão elevada e tão confusa que mesmo com fabricação local é complicado competir com o mercado cinza. Fora a obrigação de SAC em todo o país e assistência técnica com cobertura nacional. Já foi pior, mas a Nintendo é bastante conservadora nesse sentido.

Como diria um certo executivo de outra empresa de tecnologia que não tem nada a ver com a Big N:

Não podemos nem exportar os nossos produtos com a política maluca de taxação superalta do Brasil. Isso faz com que seja muito pouco atraente investir no país. Muitas companhias high tech se sentem assim”. — Steve Jobs, em março de 2010

Quase oito anos se passaram e nada mudou no Brasil nesse sentido. Só vieram “reformas” que apenas beneficiam meia dúzia de empresários, mas o povo que se vire para pagar uns 20 impostos diferentes, alguns deles sobre outros impostos. A Nintendo nunca quis entender essa maluquice e sempre preferiu usar representações no país. Gostaria de estar errado, mas não acredito que a Nintendo per se vá desembarcar no Brasil um dia. Até a quase-trilionária Apple já arrumou parte das malas para sair daqui.

Enquanto alguns fãs creem no “retorno” da Nintendo ao Brasil, vou continuar a comprar digitalmente jogos de outras regiões para o Switch. Mesmo a eShop brasileira do 3DS tinha jogos faltando e preços absurdos.

Fonte: The Next Web.

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