Tim Cook quer aproximar Apple e China; senadores dos EUA não curtiram


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A Apple está tentando de todo jeito se consolidar na China, ainda que esteja levando porrada atrás de porrada do governo local. Basicamente Pequim (mais especificamente o premiê Xi Jinping, um anti-ocidente e protecionista ferrenho) vem fazendo de tudo para puxar o tapete da maçã em prol de suas próprias companhias, mas o CEO Tim Cook não desiste e aceita até abaixar a cabeça e ceder a regras bem rígidas.

E isso não está agradando os senadores dos Estados Unidos.

Não faz muito tempo os senadores Ted Cruz (republicano, pelo estado do Texas) e Patrick Leahy (democrata, Vermont) publicaram uma nota conjunta de repúdio (cuidado, PDF) à ação da Apple em que ela aceitou os desmandos do governo chinês, ao remover vários aplicativos de VPN da App Store; segundo eles tal atitude vai de encontro a declarações corriqueiras de Cook em defesa da liberdade de expressão e como a maçã endossa o livre consumo de conteúdo por todos, ao mesmo tempo que aceita impor limitações sob o risco de perder vantagens comerciais ou mesmo de ser expulsa da China, algo que o executivo não quer de jeito nenhum. Vale lembrar que o app do The New York Times, a iBooks Store, a iTunes Movies e o Apple News foram bloqueados de comum acordo entre o governo e Cupertino.

Agora quem está engrossando o discurso é Marco Rubio, senador republicano do estado da Flórida. Em um discurso ele desceu a lenha em Cook, que esteve presente na World Internet Conference na China defendendo os esforços da Apple com a China para “construir uma comunidade” forte, que entrará no futuro no ciberespaço com o resto do mundo. O político defendeu que a maçã é o exemplo perfeito de companhia que está fazendo de tudo para abocanhar o mercado chinês, que periga se tornar o maior do mundo em pouco tempo às custas de depreciar os Estados Unidos e adotar práticas anti-americanas.

Rubio basicamente chamou Cook de hipócrita e taxou ele e a Apple de traidores da América, o que se pararmos para analisar não é algo muito longe da verdade mas que tem tudo a ver com como o mercado funciona:


Samuel Thomas — Sen. Marco Rubio Attacks Tim Cook For Kowtowing To China

Este é um exemplo, a meu ver de uma companhia tão desesperada para ter acesso ao mercado chinês que ela se submeterá às leis daquele país mesmo se elas entrem em conflito com os padrões que tais empresas deveriam defender (…). É um bom exemplo para os Estados Unidos e para seu povo, sobre como esses indivíduos gostam de falar para nós sobre liberdade de expressão, direitos humanos e problemas domésticos, enquanto vão para outro país e aceitam sem restrições as mesmas violações dos direitos humanos porque farão muito dinheiro, e eles não querem ofender seus anfitriões”.

Vale lembrar que não há inocentes nessa história, de nenhum dos lados: não só a Apple não é a única a se sujeitar às regras da China como Sundar Pichai, CEO do Google também estava presente no evento, bem como executivos da Cisco, Microsoft e Facebook; do outro lado Rubio é um dos defensores do fim da neutralidade da rede nos EUA, que muito provavelmente será repelida hoje e os efeitos podem se refletir aqui. É o sujo falando do mal lavado, mas ao menos no ponto de que Cook fala uma coisa e faz outra, como boa parte dos executivos de empresas de tecnologia que mantêm negócios com a China ele está certo.

Obviamente, Tim Cook nem ninguém da Apple se manifestou sobre as declarações de Rubio ou a carta anterior de Cruz e Leahy.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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