App mais idiota do mundo reproduz todos os inconvenientes da fotografia com filme

canon-axe-smash-casey_0

Eu não tenho nada contra um saudosismo saudável. Lembro com muito carinho do meu ZX Spectrum, de como me virei para implementar rotinas de números complexos e coloquei o bicho para produzir fractais. A diferença é que eu também lembro que para renderizar uma fractal em 256 × 192 pixels ele levou mais de 24 horas, com o micro aberto e um ventilador resfriando o Z-80. Disso não tenho saudades.

Não me entendam mal, eu acompanho vários canais “saudosistas” no YouTube, como o Techmoan, o Lazy Game Review, o Retro Man Cave, o 8-Bit Guy, a Fran Blanche, Obsolete Geek e o GameHut (bota no search não vou linkar esse monte de canal). Todos eles falam de tecnologia de outros tempos, mas ninguém quer voltar pra eles. É legal restaurar um PC 286 e brincar com ele? Com certeza, mas ninguém em sã consciência o usará como máquina principal.

Aí entram os malditos millennials, que adoram pagar de saudosistas de uma época em que nunca viveram.

cqh87ql

A nova moda é a fotografia. Não, não estou falando de entusiastas que mantém laboratórios, usam câmeras de filme, revelam e ampliam seus negativos. Isso é legal, estou falando de algo que usa a tecnologia moderna, iPhones, para trazer de volta toda a parte chata da fotografia por filme, um app da Pior Coréia chamado Gudak.

unnamed-file

O app simula uma câmera vagabunda descartável dos anos 80.

Está vendo o quadrado claro na borda superior do celular? É um “viewfinder”, a imagem do que você está fotografando aparece só ali, mas calma que piora.

Você tem um “rolo de filme”, antes de poder visualizar as fotos que tirou, precisa fotografar 24 vezes. Aí então é só… mandar revelar. Isso mesmo. O app vai então levar TRÊS DIAS pra liberar as imagens. E elas poderão vir com efeitos de luz vazada, superexposição e todos os lixos que quem usavam essas máquinas vagabundas está acostumado.

1

Agora a cereja do bolo: essa desgraça hipster faz um sucesso desgraçado na Pior Coréia, já foi baixado 1,3 milhão de vezes e custa US$ 0,99. Ou seja, enquanto eu estou aqui num sábado de noite reclamando, o japa que fez essa bobagem faturou US$ 1,287 milhão.

Fonte: CNet.

Relacionados: , ,

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e para seu blog pessoal, o Contraditorium,

Compartilhar