Em caso de guerra os EUA terão 120 segundos para deter um ataque nuclear

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No auge da Guerra Fria vivia-se o conceito de Destruição Mutuamente Assegurada, que atendia pela apropriada sigla em inglês MAD. Em essência, era “não vou atacar o inimigo pois ele tem capacidade de me dizimar, no final ambos terminaremos destruídos”. Por isso não havia tanta preocupação em deter mísseis. As pesquisas existiam mas realisticamente falando, com milhares de ICBMs voando 1% de falha já seria suficiente para destruir o mundo. Hoje, quando a única ameaça real, a Melhor Coréia pode lançar 3 ou 4 mísseis, ironicamente um ataque é muito mais preocupante.

Ok, preocupante mesmo é que percebeu-se tarde demais que não há nada no arsenal americano capaz de deter um ICBM com razoável grau de certeza. Não é uma tarefa fácil. Como já expliquei em outros artigos, talvez a única oportunidade real seria explodir os mísseis na plataforma de lançamento ou logo após terem sido disparados.

Um estudo feito em 2014 determinou que o sistema de radar do F-35 é capaz de identificar travar e compartilhar informações de alvo de um ICBM. Ou seja: ele seria capaz de lançar um míssil e destruir um ICBM da Melhor Coréia enquanto este ainda estivesse subindo.

Um Falcon 9 leva pouco mais de 1 minuto para atingir Mach 1. Um míssil AIM-120 AMRAAM em poucos segundos está seguindo em direção ao alvo a Mach 4.

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Teoricamente o alcance dele é de 180 km, mas isso claro é na melhor da melhor das circunstâncias. Na prática o caça que o disparar precisará estar bem mais perto para interceptar com sucesso um ICBM coreano na fase de ascensão.

Problema: a menos que o Grande Líder seja educado e avise com antecedência do ataque, será preciso manter uma patrulha sempre no ar, e em território inimigo. Por mais que stealth seja legal, não faz milagres: acidentes acontecem e um piloto capturado ficaria péssimo nas manchetes.

Fora o custo astronômico de todas essas aeronaves no ar 24/7. E sim, daria pra usar drones, mas de novo: um drone caindo em território da Melhor Coréia pode ser a desculpa que eles precisam pra começar uma guerra.

Agora a real: não vai funcionar. A máquina militar simplesmente não é ágil assim, não há autonomia nesse nível de decisão que não precise subir vários degraus na cadeia de comando, e quando um estudo determina que o tempo hábil para explodir o ICBM durante a fase de lançamento é entre 90 s e 120 s, já era.

Nenhuma estrutura hierárquica se move tão rápido.

Fonte: Next Big Future.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e para seu blog pessoal, o Contraditorium,

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