Qualcomm rejeita oferta de compra feita pela Broadcom; US$ 103 bilhões “é pouco”

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E não é que a Qualcomm deu aquela esnobada na Broadcom? A companhia de semicondutores fez uma suntuosa oferta de aquisição, oferecendo à fabricante de SoCs US$ 103 bilhões mais o compromisso de assumir sua dívida líquida, o que fecharia o negócio em cerca de US$ 130 bilhões.

Só que a Qualcomm recusou a proposta oficialmente, alegando que o valor oferecido era… baixo.

A Qualcomm vive um período conturbado: ela está sendo atacada por Deus e o mundo, tendo a Apple como puxadora da escola Unidos do Processinho: uma série de denúncias por práticas desleais levou a maçã a abrir ações judiciais contra a companhia, ato que foi imitado por, que fora acompanhada por suas parceiras  Foxconn, Wistron, Compal e Pegatron; a Qualcomm também já se desentendeu com a Samsung e foi condenada uma ou outra vez em casos isolados, sempre pelo mesmo motivo: ela estabelece contratos leoninos para ceder o uso de suas tecnologias, desde seus SoCs como outros componentes móveis, principalmente de modem onde ela domina o mercado praticamente sozinha.

Tais processos fizeram a Qualcomm perder muito valor nos últimos anos, mas ainda assim seus papéis eram até antes da oferta da Broadcom negociados por US$ 65,25 na bolsa. A última fez uma oferta de aquisição não solicitada, oferecendo-se para pagar US$ 70 por ação e assumir as dívidas que hoje chegam perto de US$ 25 bilhões, e somando tudo o negócio se tornaria o mais caro da indústria de tecnologia em toda a história.

Só que a Qualcomm mandou a Broadcom passear. A decisão do conselho em rejeitar a oferta de aquisição foi unânime, sob o argumento de que “a proposta desvaloriza dramaticamente a Qualcomm e chega com inseguranças regulatórias significantes”, segundo o presidente do Conselho Diretor Tom Horton. Trocando em miúdos, não só a fabricante de chips considerou o valor baixo para o que a Qualcomm realmente considera uma negociação justa, como seu corpo executivo possui sérias preocupações com as implicações antitruste que viriam depois.

Ainda que a Qualcomm esteja mal das pernas, ela conta não só com um portfólio valioso de tecnologias mas também com uma enorme quantidade de patentes e propriedades intelectuais, o que ele elevaria em muito o valor final da empresa. No entanto, há indícios de que a Broadcom não pretende desistir, e poderia tomar duas opções: a primeira, a mais provável seria cooptar os membros do conselho mais flexíveis e oferecer um valor maior, ou a mais agressiva e menos gentil: uma tomada hostil da Qualcomm, comprando diretamente os papéis da empresa negociados na Bolsa sem solicitação. É algo semelhante ao imbróglio entre a Ubisoft e a Vivendi.

O futuro é incerto. Pode ser que a Broadcom continue teimando em adquirir a Qualcomm e esta siga resistindo, ou ela pode vir a ceder em algum momento até para fugir dos processos, mas por enquanto a verdade é que a fabricante de chips mandou a rival passar amanhã.

Fonte: CNBC.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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