Um dia é da caça, outro do caçador. Esse não foi o dia dele.

1wytq0h0

Se você acha a situação na Síria complicada, acredite: no Iêmen é pior. É uma das maiores se não a maior Proxy War da atualidade, com reais possibilidades de virar um conflito regional dos grandes.

Tudo começou em 2004, quando rebeldes Houthis começaram afazer oposição ao governo, então apoiado pelos EUA, Arábia Saudita e outros países. Eles acabaram tomando a capital do país e expulsando o presidente, mas só controlam 25% do país.

Encurtando a história, os sauditas passaram a apoiar os novos rebeldes, que eram do governo anterior. O novo presidente é apoiado indiretamente pelo Irã e pelo Hezbolah, o partido governante do Líbano.

Pra complicar parte do país é controlada pelo ISIS, parte pela Al Qaeda e outros grupos menores. Todos se odeiam e todos tentam se matar.

No meio disso tudo os sauditas bombardeiam o Iêmen, que ataca de volta com mísseis que eles não tem como construir, mas não admitem que compram ou ganham do Irã. O último ataque foi dia 4, quando um míssil balístico lançado do Iêmen chegou próximo ao aeroporto da capital saudita, quando foi interceptado por nada menos que CINCO Patriots.


Libertafree Liberta — Saudi Arabia intercepts Yemen missile over Riyadh ( riyad الرياض ar-Riyāḍ )

Foram gastos US$ 12,5 milhões em mísseis nessa defesa, mas com um único avião custando uns US$ 100 milhões, e vidas tendo preço incalculável, a matemática está mais que justificada.

Nem sempre, claro, os sauditas (note que não falei “os mocinhos”) se dão bem. Às vezes o Outro Lado (note que não falei “os bandidos”) tem sorte.

Foi o caso desses rebeldes Houthi, que conseguiram por as mãos em uma bateria de mísseis iranianos, provavelmente versões locais do SA-12 russo:

s-300v-9a83-image02

Com capacidade de atingir alvos a 100 km de distância e até 32 km de altitude, o SA-12 é má-notícia até pra um piloto de SR-71, que se for alvejado por um tem que acelerar o avião e continuar voando até o míssil cansar.

Quando o alvo é um pobre drone movido a hélice, chega a ser covardia.


Real Sides — WATCH : U.S Military Surveillance Drone (MQ-9) Shot Down By Yemen Huthi Missile

O Reaper MQ-9 não é exatamente indefeso. Mais que testado em combate, é uma evolução do Predador. é projetado para atacar o inimigo sem colocar em risco a vida dos pilotos. Voando a 25 mil pés e 300 km/h ele está fora do alcance dos lançadores de mísseis portáteis, mas é um alvo fácil para o SA-12.

O resultado foi tão inevitável quando espetacular. Atingido em cheio na asa, o Reaper provavelmente cambalhotou perdeu toda a velocidade vertical e se tornou um veículo com a mesma sustentação aerodinâmica do Ed Motta. Como resultado ele caiu como uma pedra, em uma verdadeira cena de filme.

Até fez o favor cinematográfico de acertar uma área aberta, sem ferir ninguém, veja:


sadiqsamawi — US spy drone (MQ 9) shot down in Sana’a, Yemen – إسقاط طائرة بدون طيار أمريكية في سماء صنعاء

Esse é um raro caso em que todo mundo saiu ganhando. Gente que seria desberlotada pelos mísseis do Reaper continua viva, o SA-12 que poderia matar um piloto destruiu um alvo totalmente mecânico, os US$ 17 milhões do Reaper são troco de pinga pro Pentágono e nós ganhamos material para um post.

Relacionados:

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

Compartilhar