Broadcom oferece US$ 130 bilhões para comprar a Qualcomm

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Enquanto a Disney tenta comprar a 21st Century Fox a Broadcom, companhia de semicondutores está prestes a chutar o balde até Júpiter: a empresa anunciou ontem (06/11) que fez uma oferta de aquisição à Qualcomm, uma das principais fabricantes de componentes para dispositivos móveis de US$ 103 bilhões, mais o compromisso de assumir sua dívida líquida que levaria a um negócio total de US$ 130 bilhões, de longe a maior negociação do mercado de tecnologia da história.

A Qualcomm não anda em uma situação muito saudável nos últimos tempos, ainda que ela esteja no meio de um processo de aquisição da NXP, outra empresa de semicondutores. O processo original da Apple contra a empresa, por conta de práticas desleais se desdobrou em um imbróglio gigantesco com a adição das parceiras da maçã Foxconn, Wistron, Compal e Pegatron todas processando-a junto com a maçã, sem falar em rolos semelhantes com a Samsung. Como resultado a Qualcomm viu seu lucro despencar violentamente, principalmente após a Apple (que é sua principal cliente) cortar o pagamento de royalties; tal ação foi um dos principais motivos para a que a Qualcomm fechasse o terceiro trimestre com uma queda de quase 90% nos lucros.

A Broadcom, que atua em diversos segmentos de tecnologia e coincidentemente é uma das principais fornecedoras de componentes da Apple, pode ter feito um julgamento de valor que a aquisição da Qualcomm pode ajudar a resolver o rolo entre as partes, bem como obviamente garantir os direitos sobre sua tecnologia de SoC e também a posse de suas inúmeras patentes, que a companhia utiliza para garantir seus contratos (alguns leoninos) com diversos fabricantes de dispositivos móveis. Ainda que hajam vários fabricantes como TSMC, Kirin, MediaTek e outros, a Qualcomm também detém contratos principalmente no fornecimento de chips de modem para celulares, o que faz com que ela seja quase que onipresente nos bolsos e bolsas dos consumidores.

Caso o processo de aquisição seja concluído o negócio será o maior do setor tecnológico, mas a tendência é que a Qualcomm a princípio não aceite a proposta por considerar o valor (wait foi it…) aquém do valor da companhia. Embora a Qualcomm possua um valor de mercado hoje de US$ 91 bilhões, ela não deverá aceitar tão facilmente e caso entenda que uma aquisição seja o melhor que lhe pode acontecer, fará com que a Broadcom seja estimulada a pagar por um valor maior. Aguardemos os próximos episódios.

Fonte: Financial Times (paywall).

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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