Shelley, a Inteligência Artificial que escreve contos de terror

Não é segredo para ninguém que as inteligências artificiais estão aprendendo a fazer de tudo um pouco. Hoje contamos com sistemas especialistas capazes de publicar informes econômicos e até mesmo notícias mais elaboradas, calcular pagamentos e determinar para onde seu pacote vai, mas uma rede neural seria capaz de contar histórias?

Pois foi com essa premissa que o Laboratório de Mídia do MIT criou a Shelley, uma IA que aprendeu a escrever contos de terror com certz proficiência.

O projeto que levou à criação da Shelley (uma homenagem a Mary Shelley, autora de Frankenstein) demandou alimentar a IA com 140 mil histórias de horror publicados numa subfórum do Reddit r/nosleep, de modo que ela mastigasse, triturasse, digerisse e aprendesse como compor tais histórias por conta própria. A iniciativa é semelhante ao que o Google fez para reforçar o vocabulário de sua própria inteligência artificial com livros românticos a lá Coleção Sabrina: por serem estruturas literárias simples o sistema desenvolveu um vocabulário sólido de modo a melhorar seus resultados do Google Now e das respostas automáticas do Inbox.

No caso de Shelley, desenvolvida pelos pós-doutorados Pinar Yanardag e Manuel Cebrian e o prof. dr. Iyad Rahwan a ideia era fazer com que ela aprendesse a estrutura literária dos contos de terror que os usuários do Reddit compartilham, de modo que ela fosse plenamente capaz de criar os seus próprios sem que lhe fosse dito para fazê-lo ou como fazê-lo. O resultado pode ser apreciado através do Twitter:

É interessante notar, no entanto que Shelley é interativa. A cada hora ela irá tuitar uma história dividida em duas ou três mensagens e é capaz de dar sequência a contos enviados pelos seguidores, através da hashtag #youturn. Em alguns casos ela pode começar uma narrativa, um usuário manda uma resposta e ela constrói o resto do conto a partir dali; no entanto Shelley não responderá a todas as mensagens que lhe forem enviadas, apenas as que tiverem o maior número de curtidas e retweets.

E para completar a brincadeira, na noite de Halloween foram lançados mais dois perfis no mesmo estilo de Shelley, baseados nos autores John William Polidori (criador da encarnação moderna dos vampiros na literatura) e Lord Byron (poeta e um dos autores mais importantes do romantismo, além de pai de Ada Lovelace, a primeira programadora da história).  Aliás os três estavam juntos em junho de 1816 numa mansão em Villa Diodati, na Suíça durante o “Ano Sem Verão“, em que o clima sombrio da época os estimulou a criar obras seminais: Shelley concluiu o rascunho de Frankenstein, Byron redigiu o poema Darkness e Polidori usou um excerto de Byron para mais tarde escrever o livro O Vampiro, que Bram Stoker usou como base para Drácula.

Claro, Shelley está dentro do que se pode dizer de um projeto simples: ela tende a repetir palavras e alguns dos seus contos não possuem o menor sentido, enquanto outras mostram um domínio sobre o tema apurado. De qualquer forma os pesquisadores do MIT pedem a colaboração das pessoas para que interajam com ela, de modo que Shelley possa expandir seu vocabulário e talvez um dia seja capaz de escrever uma história completa, o que seria muito interessante.

Fonte: Shelley.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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