Relembrando: O Opera não ia mudar o mundo?

É meio cafajestagem ficar chutando cachorro morto, mas algumas vezes é preciso colocar as pessoas em seu devido lugar, mesmo que as pessoas sejam empresas norueguesas. Em Junho a OperaSoft soltou um anúncio no mínimo pretensioso, arrogante até, diria eu. Em um press release diziam com todas as letras:

❝Opera Unite Reinventa a Web❞

Modestos, não? A idéia era que cada navegador se tornasse um hub em uma gigante rede P2P compartilhando arquivos em escala global, todos juntos numa direção, uma só voz uma canção, criando um futuro onde unicórnios vomitariam arco-íris enquanto bebês focas brincariam com bebês bandas e todos usariam Opera.

Seis meses depois, vamos ver como estão as estatísticas:

Em Junho, época do lançamento do Revolucionário Opera Unite, o navegador tinha 3,36% do mercado mundial de browsers. Google Chrome, 2,82%. Avançando alguns meses, vamos ver como funcionou a reinvenção da Web pelo Opera Unite:

Em Setembro de 2009 Google Chrome tem 3,69% e Opera bosteja com 2,62%.

Fica a lição: Se você quer quebrar um paradigma, reinventar alguma coisa, primeiro consiga o PRODUTO depois faça o marketing. O Campo de Distorção da Realidade de Steve Jobs é ótimo mas depois que o sujeito leva o iPhone pra casa, ou ele funciona ou não funciona. Promessas Extraordinárias demandam Produtos Extraordinários. Dizer que um produtinho meia-boca como o Unite iria reinventar a web foi pedir pra ser sacaneado.

Pedido feito, pedido atendido.

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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