Billboard mudará cálculo de suas listas para dar maior importância a serviços de streaming pagos

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Desde 2014 a revista Billboard leva em conta o número de execuções de músicas e vídeos em plataformas de streaming em seus cálculos para a composição de suas listas, mais especificamente os Tops 100 e 200 de singles e álbuns para o mercado norte-americano. Foi um movimento inevitável, hoje cada vez mais pessoas abrem mão da aquisição de músicas digitais pela conveniência de usar um plano pago ou gratuito, com execução de anúncios para ouvir suas musiquinhas.

O problema dessa abordagem é que os números não refletiam a realidade. Por mais ads do Michel Teló que você venha a ouvir entre uma música e outra do Spotify, o usuário gratuito não é igual a quem abriu a carteira e adquiriu uma assinatura mensal. Este investiu em seu artista favorito não com seu tempo e com seu dinheiro, e dessa forma não é muito diferente de quem compra um álbum físico ou digital. A Billboard no entanto não fazia distinção entre esses perfis de usuário e jogava tudo na conta uniforme do streaming, que querendo ou não retorna números que não refletem a realidade.

Só que isso vai mudar a partir de 2018: a Billboard anunciou que irá implementar uma mudança em seus cálculos para a composição das listas sobre o peso de cada serviço e/ou modalidade de streaming, dando mais relevância a serviços exclusivamente pagos e na sequência a modelos híbridos, que suportam assinaturas e contam com uma modalidade gratuita com exibição de anúncios, tanto para áudio quanto para vídeo.

Vai funcionar assim: de janeiro em diante o número de execuções de músicas e videoclipes em serviços como Apple Music, Tidal, Amazon Music Unlimited, Google Play Music, Groove Music Pass (ops esse não, a Microsoft vai matá-lo no fim do ano e migrar todo mundo para o Spotify), Slacker e similares, junto com os executados pela modalidade paga de serviços como Spotify, SoundCloud terão maior importância sobre plataformas que só funcionam com o modelo de negócios livre com propagandas como YouTube, Vevo e as vindas de assinaturas gratuitas de plataformas híbridas. Execuções pagas terão mais relevância do que as gratuitas e de certa forma, o Spotify perderá relevância frente aos resultados da Billboard. Já a Apple, cujo Apple Music é exclusivamente pago e fechado vai ganhar espaço, tal qual outros como o Tidal.

A Billboard afirma que a mudança visa refletir o hábito dos ouvintes de hoje, que consomem muito mais música por streaming e também pelo crescimento de serviços pagos como Apple Music e Tidal, bem como uma maior adesão de assinantes a plataformas híbridas como o Spotify (não foram poucas as tentativas de depreciá-los, o que explica esse movimento). Tal mudança vai satisfazer Jimmy Iovine, produtor musical e executivo da Apple (co-criador junto do Dr. Dre do Beats Music, hoje Apple Music) que no mês passado declarou que os serviços pagos deveriam ter prioridade no cálculo das listas, obviamente puxando a sardinha para o lado da maçã porque no seu entendimento, serviços gratuitos prejudicam os artistas e estes devem ser pagos por suas criações, bem como o streaming gratuito deve ser restrito.

Fonte: Billboard.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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