FIFA 18 — Review

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Quando uma nova versão da sua franquia de futebol preferida é lançada, o que você espera? Um jogo cheio de mudanças ou um que apenas aperfeiçoe o que já te agradava e com uma ou outra inovação para ajudar a manter o “ar de coisa nova” Se a sua resposta foi a segunda opção e você adora os títulos da EA Sports, pode ficar tranquilo, pois é justamente isso o que encontrará no FIFA 18.

Em time que está ganhando…

Eu sei que isso é um tremendo clichê, mas ao jogar a versão deste ano do simulador de futebol da Electronic Arts, a sensação é de que a empresa decidiu apostar naquela velha máxima do futebol. Desde os menus até a própria jogabilidade, a diferença do do jogo para o seu antecessor é até menor do que vimos do FIFA 16 para o FIFA 17 e embora isso possa incomodar algumas pessoas, acho uma decisão acertada. Ao fazer isso o estúdio garante que muitos dos que gostaram do jogo no ano passado também fiquem satisfeitos dessa vez, mas é difícil não sentir que o FIFA 18 parece mais uma atualização do que uma versão inteiramente nova.

Ainda assim, o título consegue trazer algumas sutis mudanças quando se trata das partidas, com a principal delas sendo uma velocidade mais baixa. Isso claramente foi feito para diminuir aquela correria desenfreada que víamos nos jogos anteriores, o que permitia que atletas velozes se destacassem dos demais e fossem muito difíceis de serem parados.

Isso não significa que um Cristiano Ronaldo, um Messi ou um Gareth Bale não costumem levar vantagem sobre as defesas, mas a disparidade diminuiu e agora é mais fácil termos uma equipe que não dependa tanto de velocistas. Por gostar de uma experiência o mais realista possível, prefiro deste jeito, mas entendo aqueles que dizem que o jogo ficou muito lento.

Outra alteração que deverá agradar os mais exigentes é o sistema de passes, que está menos automatizado. Ou seja, agora ficou mais difícil tocar a boa, com o jogo nos obrigando a mirar exatamente para onde querermos que ela vá e apesar disso gerar algumas situações bizarras, torna a jogabilidade um pouco melhor.

Ponto também para as substituições rápidas, que nos permitem trocar jogadores sem precisarmos acessar o menu, ajudando assim a não quebrar o ritmo das partidas.

A pior zaga do mundo(?)

Desde que a série FIFA mudou o sistema de defesa, tornando-a mais manual, temos visto muitas reclamações em relação a fragilidade dessa parte das equipes e nesta edição as críticas tem sido ainda mais fortes. fifa-18-3O problema é que devido a um suposto atraso nas repostas dos controles, que particularmente não senti, tornou-se muito mais comum vermos erros crassos acontecendo quando um time é atacado.

Não que eu me considere o Franco Baresi virtual, mas para mim a defesa do FIFA 18 está até melhor do que nos últimos jogos, ela apenas exige muito mais atenção por parte do jogador e caso um erro seja cometido, realmente será difícil nos recuperarmos. Novamente acredito se tratar de uma questão de gosto, mas a partir do momento em que você “dominar” a mecânica e tiver todo o cuidado do mundo, será um enorme prazer roubar a bola de um supercraque e sair jogando como um verdadeiro zagueiro clássico.

Outra melhoria que notei foi na inteligência artificial dos defensores controlados pelo computador. Nesta versão eles se organizam muito melhor no gramado, cobrindo espaços deixados por outros atletas e tornando bem difícil nos aproximarmos da área. Talvez isso seja fruto da própria maior cadência das partidas, mas sair cara a cara com o goleiro se tornou algo mais raro.

Uma carreira mais robusta

Além é claro das partidas multiplayer, para mim jogos de futebol se resumem aos seus modos carreira e no FIFA 18 ele está ainda melhor. A principal novidade aqui é que as negociações ganharam uma camada de profundidade bem interessante. Isso acontece porque agora, cada vez que você for vender ou comprar um jogador poderá optar por negociar uma séries de aspectos, com a conversa com o outro dirigente acontecendo como se fosse um RPG.

Nelas poderemos escolher o valor que será pago/recebido, o jogador que será envolvido no negócio e até mesmo a porcentagem dos direitos do atleta que ficarão com o vendedor, podendo assim gerar um lucro adicional numa futura venda. Já com o jogador poderemos negociar o tempo de contrato, seu papel no clube e até o valor de luva pela transferência e bônus que ele receberá ao completar certos objetivos.

Além de tornar mais real o cargo de manager num clube, essas mudanças ainda adicionam uma camada de estratégia ao modo, aproximando o Carreira daquilo que encontramos em títulos como o Football Manager. Também gostei muito de as propostas poderem ser feitas e recebidas em qualquer época do ano, embora as transferências evidentemente só ocorram dentro das janelas.

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O retorno de Alex Hunter

O FIFA 18 ainda traz a segunda temporada do modo A Jornada, onde acompanhamos as aventuras e desventuras de Alex Hunter. Após obter sucesso no início da sua carreira, o jogador tentará alçar voos mais altos, mas é aí que começam os problemas do enredo.

Embora seja compreensível a EA Sports tentar nos conquistar mostrando as dificuldades que um jogador pode enfrentar, é pouco plausível a ideia de uma jovem estrela sair da primeira divisão da Inglaterra para ir jogar num clube dos Estados Unidos, para depois acabar num gigante europeu. Além disso, a falsa liberdade dada pelas opções durante os diálogos incomoda, já que pouco podemos mudar no rumo da história.

Por fim, é extremamente irritante vermos que apenas parte dos diálogos dublados foram localizados, fazendo com que alguns personagens falem em português e outros tenham suas vozes originais em inglês, casos por exemplo do Cristiano Ronaldo e de Rio Ferdinand.

Apresentação (quase) impecável

Mesmo com esse deslize nas dublagens (seria uma questão contratual?), é difícil reclamar da apresentação entregue pelo FIFA 18. Com estádios lindamente recriados, atletas muito parecidos com suas versões reais e no caso da Premier League, da LaLiga Santander e da MLS, até o grafismo empregado imitando o que temos na transmissões oficiais, a sensação a todo momento é de estarmos realmente assistindo uma partida real, com a EA mais uma vez entregando um trabalho sensacional.

O ponto negativo neste sentido é mesmo a terrível narração e comentários presentes na versão brasileira do jogo. A dupla Tiago Leifert e Caio Ribeiro novamente mais estragam do que contribuem para uma boa experiência, sempre fazendo piadinhas sem graça e o pior, fazendo questão de quebrar a quarta parede.

Oras, num jogo que tenta a todo momento se vender como sério, jamais conseguirei entender o estilo deles, que a todo momento deixam claro estarem participando de um jogo. Na minha opinião prejudica isso prejudica muito a imersão e ainda espero que um dia a EA resolva adotar um narrador de verdade, não um jornalista-celebridade.

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Que país é esse?

Outro problema que a série ainda não conseguiu corrigir foi o das licenças com os jogadores nacionais. Com isso o FIFA 18 repete o que aconteceu com os seus antecessores e não traz os atletas que jogam nos nossos clubes e sem a presença de algumas equipes que estão na primeira divisão, não tem muita graça encarar um campeonato brasileiro desta maneira.

É bem verdade que parte da culpa por isso se deve a falta de uma associação de jogadores minimamente decente no Brasil, mas a EA também não parece muito disposta a se esforçar para resolver o assunto, assim como a Konami tem feito. É uma pena, mas infelizmente não parece haver uma solução a curto prazo para isso.

Vencedor, mas na prorrogação

Pesando os prós e os contras, ainda considero a série FIFA sensacional, conseguindo entregar uma experiência bastante realista e com uma jogabilidade que vem se consolidando a cada ano. Porém, com o FIFA 18 senti que está na hora da EA Sports ousar um pouco, fazer algumas mudanças em sua estrutura para nos passar uma maior sensação de que o próximo capítulo realmente é um jogo novo quando comparado ao antecessor.

Eu não acredito que a franquia esteja ameaçada de perder o seu reinado num curto período, mas também não acho que eles podem relaxar e pensar que vencerão essa disputa com os pés nas costas.


FIFA 18 Launch Commercial | More Than a Game

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Autor: Dori Prata

Pai em tempo integral do pequeno Nicolas, enquanto se divide escrevendo para o Meio Bit Games, Techtudo e Vida de Gamer, tenta encontrar um tempinho para aproveitar algumas das suas paixões, os filmes, os quadrinhos, o futebol e os videogames. Acredita que um dia conseguirá jogar todos os games da sua coleção.

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