Elon Musk atualiza seus planos e acredite, VOCÊ irá ao espaço!

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Hoje Elon Musk fez sua aguardada apresentação no Congresso Astronáutico Internacional em Adelaide, Austrália. Ele atualizou os planos da SpaceX para Marte. Basicamente os contadores chamaram Musk pra um canto, explicaram que colonizar um planeta custa muito caro, e ele precisa primeiro de dinheiro.

Isso provocou uma mudança de rumo. Primeiro, a SpaceX agora ama a Lua e está pronta para levar qualquer carga para lá, montar bases, trazer a pessoa amada em 3 dias, o cliente escolhe. A Lua é um mercado inexplorado bem mais viável a curto prazo.

Outra medida foi reduzir o tamanho do ITS, o Interplanetary Transport System, foguete que faria a viagem para Marte. Originalmente ele teria 13 m de diâmetro, 122 metros de altura e 42 motores. Ele foi compactado no BFR, Big Fucking Rocket, ou Falcon se sua avó perguntar o que é o F.

Seráo 106 metros de comprimento, 9 metros de diâmetro, 31 motores e capacidade de colocar 150 toneladas em órbita baixa. 100% reutilizável, e será reabastecido em órbita.

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Não se engane, mesmo menor o BFR ainda será o maior foguete do mundo, com mais área interna pressurizada que um Airbus A380.

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Em termos de capacidade ele levará 150 toneladas, mais do que o Saturno V, com 135 toneladas.

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Será preciso quatro vôos de reabastecimento até encher os tanques do BFR, e a própria manobra será a coisa mais antinatural que se fez no espaço:

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O sistema usará as mesmas conexões que a nave utiliza para se ligar ao primeiro estágio do BFR. Uma nave-tanque irá se posicionar e ambas encaixarão bundinha com bundinha. Depois que as ligações estiverem fixas e essa nova posição sexual for adicionada no Urban Dictionary, jatos de manobra acelerarão o conjunto na direção oposta da nave que receberá o combustível. A inércia fará a transferência, sem a necessidade de bombas.

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O BFR não tem aquele janelão da versão original, o pessoal da Engenharia deve ter dado um sacode nos designers. Mesmo as janelas do modelo novo me parecem exageradas, mas vai depender do perfil de pouso.

Musk sugeriu vários modelos, como os de lançamento de satélites, tanques, transporte de cargas e… passageiros.

Um BFR plenamente abastecido consegue ir até a Lua com 150 t de carga, pousar e voltar sem precisar produzir combustível no local. Em uma missão marciana será preciso construir geradores de oxigênio e metano, felizmente o solo e a atmosfera de Marte são excelentes para isso. Metano é CH4, oxigênio é, bem… O2. Como a maior parte do ar de Marte é CO2, e há água a rodo no solo, é pura questão de química básica.

A vantagem de usar combustível barato e ser totalmente reutilizável é que o BFR será barato, muito barato.

Foguetes hoje são uma aberração, um absurdo econômico. Um Saturno 5 é um transatlântico que leva 3 pessoas e afunda quando termina a viagem inaugural. Não dá pra ser lucrativo assim. Ou melhor, dá se você vender o foguete, mas nunca vai fomentar uma indústria real com esses preços.

Colocando foguetes em ordem de custo, o BFR, o maior de todos muda de posição:

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Um lançamento do Big Fucking Rocket custará menos de US$ 2 milhões. Isso é menos do que o Falcon 1, primeiro foguete da SpaceX, lá do longínquo ano de 2006, um foguetinho tão pequeno e humilde que é só alguns metros maior do que o VLS brasileiro. E existe. E voa.

Esse barateamento nos custos levou a SpaceX a pensar em outra forma de monetizar sua frota: vôos comerciais de passageiros.

Apesar de toda nossa tecnologia um vôo São Paulo — Tóquio pode durar entre 30 e 50 horas. A SpaceX está prometendo vôos parabólicos suborbitais que fariam o mesmo percurso em 40 minutos ou menos.


SpaceX — BFR | Earth to Earth

Musk disse que o preço será o mesmo de uma passagem cheia em classe econômica. Sinceramente eu duvido. Inicialmente ele tem custos de pesquisa e desenvolvimento a cobrir, e um mercado de viajantes que adorariam fazer NY — Hong Kong em 30 minutos, mesmo que saia bem caro.

Há quem diga que o Concorde tentou e não conseguiu criar um mercado de transporte rápido, mas três horas e meia para um vôo NY-Paris era conveniente mas não essencial. Alguém que espera 4 horas espera as 8 de um vôo convencional, onde você viajava com muito mais conforto.

Já meia-hora, aí estamos falando de algo completamente novo. É uma mudança de paradigma digna da introdução da aviação comercial. Travessias que levavam dias e dias por navio eram feitas em horas por aviões.

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Os detratores já estão em modo Full Retard, com os argumentos de sempre: é muito caro, nunca foi feito antes, não há mercado, etc, etc. É o pessoal que acha que nada pode ser feito pela primeira vez. Imagine se descobrirem que houve gente falando o mesmo até sobre algo trivial como trens.

Críticos diziam na Inglaterra Vitoriana que acima de determinada velocidade o ar seria sugado para fora dos trens e os passageiros morreriam. Outros afirmaram que o corpo das mulheres não estava preparado para o stress de um trem de alta velocidade, e acima de 50 milhas por hora a aceleração faria com que seus úteros fossem cuspidos para fora do corpo.

Quem está certo? O futuro dirá, e no nosso caso esse futuro já tem data:

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Isso mesmo! Elon Musk quer lançar dois BFRs para pousar em Marte em 2022, missões robóticas que verificarão recursos naturais, riscos e testarão o software de controle. Aí, se tudo der certo em 2024 serão quatro missões, duas de carga, duas tripuladas.

Agora o melhor: nada disso é vapor. Segundo Musk “o ferramental já foi encomendado”. Ou seja: todas as máquinas que constroem máquinas, equipamentos customizados caríssimos e individuais já estão sendo produzidos.

A SpaceX está apostando alto, e eu aposto com ela. Afinal, estamos falando do sujeito que construiu um programa espacial do zero, ouviu que nunca conseguiria pousar um foguete e de quebra ainda conseguiu transformar carros elétricos em algo descolado e arrojado.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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