Vivendi ainda não decidiu se vai ou não adquirir a Ubisoft

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Vivendi. A mera menção desse nome já causa desconforto em Yves Guillemot, CEO da Ubisoft: nos últimos anos o conglomerado francês partiu para cima tanto dela quando da Gameloft, então capitaneada pelo seu irmão Michael Guillemot em uma tentativa de expandir seu domínio no mercado de games, após perder a Activision Blizzard.

A Vivendi começou a adquirir partes de ambos estúdios, numa clara tomada hostil (termo que usa para um processo de aquisição de uma companhia sem esta ter sido solicitada pelo conselho, com um único comprado adquirindo controle majoritário comprando as ações na bolsa) que culminou com a venda final de todas as ações da Gameloft para a Vivendi, após a saída de Michael e dos então demais acionistas. Yves por sua vez não está nada contente com a gigante, que detém companhias como a Universal Music, o Dailymotion e o Canal+ Group sair comprando sua empresa mas não pode impedir, são as regras do jogo.

Em um ano a participação da Vivendi na Ubisoft saltou de 6,6% para 25,15% o que lhe garante um lugar no conselho da desenvolvedora e voz de decisão nos rumos da companhia, mas incrivelmente a companhia não fez nada disso: o conselho da Ubisoft (que ainda é bem familiar) mandou a Vivendi catar coquinho quando esta pediu um assento (ela poderia ter simplesmente exigido) e a acionista abriu mão do direito a voto na última reunião geral anual do estúdio, atitudes um tanto estranhas considerando o cenário.

Agora o motivo se tornou público: a Vivendi não tem tanta certeza se adquirir a Ubisoft será um bom negócio. Stephane Roussel, COO do conglomerado e proprietária da Universal Music afirmou em entrevista que os direitos de voto em duplicidade, conferidos à empresa até o fim do ano de acordo com a lei francesa aumentarão a participação da companhia dentro do estúdio em até 30%, quando de acordo com a legislação a Vivendi será obrigada a fazer uma oferta oficial de compra à Yves Guillemot. No entanto, há a possibilidade da Vivendi simplesmente desistir de tudo e vender as ações que possui.

Caso chegue a um cenário onde a Vivendi de fato queira adquirir a Ubisoft e faça a oferta, é absolutamentee certo que Guillemot irá recusar. O executivo já expressou várias vezes que seu estúdio só pode ser o que é numa posição independente, e voltou a reafirmar sua posição:

Uma empresa de games não pode crescer sob a asa de um conglomerado de mídia (Guillemot se refere à tentativa fracassada da Disney). Em nossa indústria a independência é necessária para que possamos assumir riscos e seros inovadores. Tal filosofia é incompatível com o modus operandi da Vivendi”.

Guillemot vem desde 2015 tentando convencer os acionistas a não venderem suas partes na Ubisoft à Vivendi, ao mesmo tempo que busca adquirir mais ações e tira-las do alcance da gigante e evitar que outra empresa da família seja comprada, mas se a própria rival está perdendo o interesse talvez ainda haja esperança de continuarmos vendo um estúdio tradicional operar livre do controle de outros. É esperar para ver.

Fonte: Bloomberg.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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