Veja 4 erros comuns de composição fotográfica

Eu sempre digo que a fotografia é formada de duas partes: uma objetiva e outra subjetiva. A parte objetiva é a técnica fotográfica. Nessa parte entra o equipamento, a regulagem, controle de luz e toda a física e matemática envolvidas. A parte subjetiva é o olhar. E nesse ponto entra o enquadramento e a composição (muita gente pensa que é a mesma coisa, mas não são). Simplificando, no enquadramento você decide o que vai estar na sua foto (o corte que fará na realidade) e na composição você determina como as coisas que estão dentro deste corte estarão organizadas.

O professor Ernesto Tarnoczy Jr. elencou 11 regras de composição no primeiro trabalho que publicou. Mas, é só procurar no Google que você vai achar dezenas de regras. As regras visam indicar ao fotógrafo maneiras em que a imagem ficará mais agradável aos olhos do observador. Ou seja, uma maneira mais segura de conseguir a validação externa. Normalmente as regras são criadas depois da imagem. Ou seja, alguém percebe que uma imagem ficou agradável e cria uma regra de composição para ela. Porém, como todas as regras, elas existem para serem quebradas e levadas ao limite. No fundo, o olhar é o mais importante. As vezes uma foto totalmente fora de qualquer regra fica muito mais bacana.

Mas, para quem está iniciando, as regras de composição são uma boa receitinha de bolo para não ter problemas. É nesse ponto que entra o vídeo do fotógrafo Evan Ranft que elencou 4 erros comuns de composição que o fotógrafo iniciante comete. O vídeo está em inglês, mas vou dar uma mastigada nos 4 erros e você pode acompanhar tranquilamente com os exemplos que ele vai mostrando.

1 – Assuntos Duplos – esse é o mais comum e vejo muito acontecendo. Quando você vai fotografar alguém, ou algo, é importante que esse objeto seja o ponto de maior atenção em sua fotografia. Colocar na mesma imagem outro ponto de atenção você divide o olhar do espectador e a imagem perde força. Ao fotografar uma pessoa você não deixa do lado dela um objeto que possa chamar mais atenção do que ela. No vídeo Evan usa o exemplo de uma cachoeira, mas pode-se aplicar a quase tudo (uma Arara Azul, por exemplo);

2 – Olhar para fora – Uma das técnicas mais comuns (e simples) de composição é a regra dos terços. Você divide a área da foto com duas linhas na horizontal e duas na vertical e tenta encaixar o objeto fotografado na intersecção dessas linhas. O efeito, quase sempre, é que o objeto fotografado ocupa a área de 1/3 da foto, deixando 2/3 da imagem livre. Quando uma pessoa está nessa posição e você manda ela olhar para o lado inverso do espaço livre, você cria uma impressão estranha na imagem e um espaço negativo que fica fora de equilíbrio. É fácil resolver isso mandando a pessoa olhar sempre para os 2/3 da imagem que ficarão livres;

3 – Linhas  – sempre evite colocar em sua imagem linhas que fiquem paralelas ao assunto que você está fotografando. Isso tira a atenção do olhar do observador para as linhas. A maneira mais correta de utilizar linhas em sua imagem é se elas direcionarem o olhar do espectador para o objeto fotografado.

4 – Não seja preguiçoso – sim, essa é a mais pura verdade. Fotógrafos fazem trabalhos medíocres, em grande parte das vezes, por preguiça de pensar e se posicionar de maneira diferente. Eu vejo muito isso em fotografia infantil. Crianças de 1 ou 2 anos no chão e o fotógrafo em pé fazendo as imagens. Norma básica: em retratos o indicado é que a câmera esteja na altura do peito da pessoa fotografada. Fazer isso de forma diferente causa distorções. Fotografar crianças sem estar sentado no chão é pura preguiça e produz um resultado bizarro.

É uma lista bacana. Poderíamos falar de um monte de outras normas de composição, mas essas são suficientes para começar a pensar. Quanto ao enquadramento, deixo aqui o pensamento do mestre Robert Capa: “Se a foto não ficou suficientemente boa, é que você não chegou suficientemente perto”.

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams "Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio".

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