Google fecha um acordo de cooperação com a HTC por US$ 1,1 bilhão

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Os rumores foram (parcialmente) confirmados: o Google e a HTC fecharam de fato um acordo de cooperação mútua como algumas fontes informaram, mas diferente do que aconteceu com a Motorola não se trata de uma aquisição: a companhia taiwanesa receberá um aporte de US$ 1,1 bilhão enquanto o Google ficará com uma parte do time de funcionários da parceira, em especial muitos dos responsáveis pela linha Pixel.

Vamos combinar que apesar de líder no segmento de sistemas operacionais móveis, o Google em si perdeu força como fabricante de Androids desde que se desfez da Motorola. Apesar de ter pago caro por ela, após absorver seu know-how, patentes e principais cérebros a empresa vendeu o que sobrou para a Lenovo a preço de banana, visto que mesmo tendo lançado bons produtos durante sua gestão (as duas primeiras gerações das linhas Moto X e G, além do Moto Maxx) a divisão não deu tanto lucro.

Agora o Google apela para o meio-termo: ao invés de comprar uma empresa inteira ela fechou um acordo benéfico tanto para si quanto para a HTC, que não só receberá uma grande quantia em dinheiro pelos funcionários como o contrato inclui um licença não-exclusiva de suas propriedades inelectuais, embora os termos não tenham sido esclarecidos.

A migração do time de hardware para o Google será benéfico para centralizar o esforço em produzir novos smartphones com seu DNA impresso, 100% produzidos em Mountain View e que não sejam versões alternativas de outros produtos. Isso tembém reduz a necessidade da gigante de contar com desenvolvimento externo para a linha Pixel como acontecerá neste ano: enquanto os modelos Pixel e Pixel XL de 2016 foram ambos fabricados pela HTC, neste ano a fabricante taiwanesa só garantiu o modelo menor; já a segunda geração do XL será manufaturado pela LG.

A médio prazo, o Google terá mais uma vez uma equipe de profissionais à sua disposição que poderá enfim satisfazer um antigo desejo da empresa, o de desenvolver seus próprios SoCs e se livrar de uma total dependência da Qualcomm e outras fabricantes, bem como começar a produzir TPUs (Tensor Processing Units) para smartphones e torna-los máquinas mais inteligentes, prontas para executar tarefas de aprendizado de máquina. Já os negócios da HTC não serão de todo afetados, visto que ela continuará lançando seus próprios aparelhos e investindo na plataforma Vive de Realidade Virtual (e permanecerá não atuando no Brasil).

No mais basta mencionar que a escolha da HTC foi um tanto óbvia: foi ela que lançou o primeiro smartphone com Android puro, o HTC Nexus original bem como continuou apresentando novos dispositivos da linha antes de apresentar os novos Pixel em 2016. Se há uma companhia que entende o Google no que diz respeito a smartphones, essa é a HTC.

Resta saber se essa nova fase do Google se refletirá em melhores dispositivos Android e se um dia veremos os futuros lançamentos da linha Pixel por aqui (eu não apostaria nisso).

Fontes: Google e HTC.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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