Sobre PewDiePie, YouTube, direitos autorais e Uso Aceitável

pewdiepie

Felix “PewDiePie” Kjellberg fez de novo e isso nem é novidade. O YouTuber mais famoso e rico do mundo se envolveu em outro rolo ao insultar um jogador de forma racista em uma transmissão ao vivo, mas a reação foi um tanto inesperada e levantou uma discussão e tanto: a Campo Santo derrubou o gameplay de Firewatch publicado pelo criador de conteúdo, que não era o game em questão utilizando a Digital Millenial Copyright Act (DMCA), sob a acusação de infração de direitos autorais.

O ato se deu durante uma transmissão de PewDiePie de uma partida de Playerunknown’s Battlegrounds, o game da Bluehole Studio que virou uma sensação nos últimos tempos. Durante o vídeo, que foi transmitido para seus espectadores Kjellberg chamou um adversário de “nigger”, o que ele prontamente se desculpou. Posteriormente ele disse que ao pensar na palavra mais ofensiva para usar no momento, a tal foi a primeira que lhe veio à cabeça e saiu no automático, o que não é desculpa para a besteira que falou.

A resposta da comunidade foi imediata, com muita gente pegando tochas e ancinhos para perseguir PewDiePie mais uma vez e visto que ele recentemente não só perdeu o contrato com a Disney e privilégios de produtor premium de conteúdo junto ao YouTube, passando a ser um comum que não tem mais acesso a campanhas por conta de sua língua solta e ações imbecis eu duvido que o próprio tenha se surpreendido ou que se emende no futuro. Apesar dos pesares, Kjellberg ainda é o YouTuber com o maior número de visualizações e mesmo que monetize seus vídeos apenas com anúncios, ele ainda faz muita grana.

Só que Sean Vanaman, co-fundador da Campo Santo e diretor de Firewatch tomou uma decisão inusitada:

O estúdio indie abriu uma ação via DMCA clamando infração de direitos autorais contra um gameplay de PewDiePie jogando seu game, que foi inevitavelmente derrubado 90 minutos depois. O desenvolvedor deu seus motivos para tal ação, dizendo que não deseja endossar as atitudes do YouTuber permitindo que ele ganhe dinheiro e visualizações com as obras de seu estúdio, e a ordem se estenderá a todos os seus lançamentos posteriores. Vanaman inclusive diz que recomendará outras desenvolvedoras a fazer o mesmo, mas este não é o ponto que quero abordar.

O que pega nesse caso foi a forma de ação da Campo Santo. Vanaman fez uso de uma medida truculenta e incontestável, clamando direitos de transmissão de Firewatch para si enquanto taxou PewDiePie como infrator por apenas publicar um gameplay. Vários usuários o acusaram de hipócrita, tanto pela Campo Santo endossar a produção de vídeos como por ter ignorado o entendimento de Uso Aceitável, defendido pelo YouTube.

Só que o desenvolvedor foi bem claro sobre como a Lei funciona:

Ao comprar um game você adquire uma licença de uso pessoal e exclusiva para si e tão somente, e dessa forma segundo a lei de direitos autorais o usuário não possui direitos que lhe permitam realizar a transmissão pública de seu conteúdo (nem emprestar, alugar, trocar, etc. É a mesma coisa para filmes). Vanaman deixou bem claro que os estúdios em geral vêem os streamings e vídeos no YouTube, Twitch e outras plataformas como “caridade”, uma forma de atrair mais consumidores para suas mídias mas no frigir dos ovos, os direitos de transmissão e monetização pertencem única e exclusivamente aos donos das marcas.

É o entendimento da Nintendo, quando ela proibiu a monetização de vídeos de seus games a menos que os YouTubers façam parte de seu programa de afiliados, que divide a grana com ela, o Google e o produtor do vídeo. Foi o mesmo entendimento que Phil Fish externou, quando chamou todos os YouTubers gamers de piratas ao dizer que aqueles que faziam transmissões de Fez lhe deviam dinheiro, sem exceções.

Vanaman reconhece que a Campo Santo fez caixa com as mais de 5,7 milhões de visualizações que o gameplay de Firewatch publicado por PewDiePie possuía, mas em última análise ele prefere não compactuar com alguém que não suporta a fingir que não viu e embolsar a grana, só que tal ação é preocupante: nada protege um YouTuber de uma mudança de planos dos estúdios e desenvolvedoras e o vídeo que está bombando hoje pode desaparecer amanhã, porque alguém decidiu que não quer mais a divulgação deste ou daquele produtor de conteúdo.

Basicamente é isso aqui:


EchoFox — I Am Altering The Deal

A menos que hajam contratos claros sobre direitos de uso (não foi o caso), o usuário sequer pode apelar para o processinho clamando Uso Aceitável porque ele não tinha direitos de transmissão para começar. E o YouTube, que outrora disse que protegeria os YouTubers na prática obra e se locomove, derrubando qualquer coisa que receba notificação via DMCA ou Content ID sem sequer checar quem é dono do quê.

O fato é que esse episódio serviu para ilustrar o quão fácil é para os detentores de direitos autorais derrubarem qualquer vídeo no YouTube, basta uma mudança de humor e não há muita coisa que o YouTuber possa fazer para evitar ou se defender, já que a plataforma anda de mãos dadas com a indústria do copyright principalmente agora.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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