Criador do Opera e Vivaldi diz que sofreu represálias do Google após tecer críticas

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Não é novidade que o Google não é nenhuma empresa filantrópica, mas ela não pratica o que defende. Por anos ela manteve o slogan “Don’t Be Evil” mas quando é ela quem define o que é mal e o que não é, fica difícil. O entendimento geral é que a companhia se tornou grande demais, poderosa demais e abusa de seu poder para ditar os rumos da internet, e não por acaso é desejo da União Europeia frear todas as suas práticas que prejudicam o mercado e inibem os negócios da concorrência.

Jon Stephenson von Tetzchner é um desses concorrentes. O desenvolvedor islandês é conhecido por ter sido co-criador e CEO da Opera Software, empresa que fornece um dos melhores navegadores que ninguém usa (embora seja o 5º mais usado ele responde por apenas 5% do market share; o Chrome fica com 54%). Hoje ele está à frente da Vivaldi Technologies, companhia que também conta com um browser excelente que incorpora uma série de funcionalidades que seus principais concorrentes não oferecem.

Enfim, em uma postagem no blog da Vivaldi Tetzchner lembra dos primeiros dias da parceria entre a Opera e o Google, quando a gigante das buscas era apenas mais uma no mercado de tecnologia e ainda se preocupava em agradar seus parceiros e crescer. No entanto as coisas começaram a mudar quanto maior Mountain View ficava, e suas estratégias foram se tornando mais e mais agressivas e protecionistas.

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Jon Stephenson von Tetzchner, co-fundador e CEO da Vivaldi Technologies, co-fundador e ex-CEO da Opera Software

O executivo lembra de um problema entre o Google Docs e outros navegadores. Quando o pacote de aplicativos de escritório foi apresentado ele não funcionava com o Opera, de modo a forçar o usuário a migrar para o Chrome; Tetzchner conta que a empresa se viu foi forçada a mascarar a identidade do navegador para que ele tivesse acesso, algo que persiste com o Vivaldi mesmo ele sendo baseado no Chromium, o projeto open source do Google.

Só que as coisas ficariam ainda piores. Segundo Tetzchner, dois dias após conceder uma entrevista à Wired em que ele criticou as práticas do Google, a Vivaldi foi suspensa da plataforma Google AdWords de forma sumária e sem que fossem dadas quaisquer explicações. Quando entraram em contato a gigante deu uma resposta vaga, citando violações de seus Termos de Serviço e que o processo para recolocar a empresa no programa consumiu três meses e adequação a uma série de “exigências descabidas”, segundo ele. Tetzchner não esconde sua suspeita (eu diria certeza) de que o ato foi uma represália direta por ele ter descido a lenha na “parceira”.

Sob o ponto de vista de uma empresa que trabalha com um navegador não há muito o que fazer. O Google controla 75,8% do mercado de anúncios em motores de busca e se ele decidir que sua ferramenta não terá acesso, você não terá como monetizar seu produto e estará fadado à falência. Não são poucas as denúncias do tipo referentes ao Google e mesmo em outros anúncios, o que deixa cada vez mais claro que a empresa detém poder demais nas mãos e não é saudável para o mercado como um todo que tal cenário permaneça. Por isso a ideia da UE de partir o Google em dois e força-lo a compartilhar seu algoritmo de busca com seus concorrentes não chega a ser uma decisão tão dura assim.

Procurado, o Google não se manifestou.

Fonte: Vivaldi.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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