Review — Alcatel A3 XL: um grandão básico

O que você busca num smartphone? Performance? Autonomia? Uma tela grande? Se o último for o seu caso convém dar uma olhada no Alcatel A3 XL, o dispositivo básico extra-grande da chinesa TCL que pode não ser a faca mais afiada de sua gaveta, mas ao menos no display eles capricharam.

Eu o testei por duas semanas e estas são as minhas impressões.

Design

Não tem conversa, a primeira coisa que chama a atenção ao tirar o Alcatel A3 XL da caixa é seu tamanho avantajado, com 165 x 82,5 x 7,9 mm. No entanto, mesmo sendo tão grande ele é extremamente leve, pesando apenas 159 g e para quem possui mãos grandes (meu caso) ele não chega a ser desengonçado ao ser manuseado; já os demais terão que levar seu tamanho em consideração. Com um corpo totalmente em plástico (básico, lembra?) e traseira texturizada o A3 XL possui uma pegada firme, que não vai escorregar da sua mão mas por outro lado propicia o acúmulo de sujeira.

A segunda coisa que enche os olhos é obviamente a tela, um display IPS LCD de 6 polegadas com resolução HD (245 ppi) que apesar do tamanho, possui bons ajustes de brilho e contraste e cores bem equilibradas, e não possui uma definição baixa a ponto de gerar reclamações. Por não ser Full HD espera-se inclusive que ela não seja comilona, mas há ressalvas quanto a esse aspecto do dispositivo a seguir.

Você pode até tentar mas não vai ver pixels individuais, e isso é bom.

 

O Alcatel A3 XL conta com Dual-SIM e slot dedicado para Micro-SD (do lado oposto ao da foto), com todos os três protegidos por uma portinha que deve ser pressionada para liberar a entrada e que dispensa acessórios adicionais ou decisões de design questionáveis. Isso é bom principalmente para evitar a perda do abridor ou mesmo da porta, que é fixa e facilmente manuseável. A Sony já utilizou tal solução anteriormente e seria interessante se mais fabricantes pensassem em algo do tipo para seus dispositivos.

Performance

O aparelho avaliado conta com um SoC Mediatek MT8735B, quad-core Cortex-A53 com clock de 1,1 GHz e GPU Mali-T720MP2, 2 GB de RAM e 16 GB de espaço interno, o que em tese deveria se reverter em uma performance satisfatória mas nada excepcional, mas não é o que testemunhei. Diferente do Moto E4 Plus, que também possui um chip MediaTek e a mesma quantidade de memória o Alcatel A3 XL engasga frequentemente, mesmo executando as tarefas mais triviais. Multitarefa então ele chora na rampa, e nem ouse rodar games pesados.

Abrir apps do cotidiano como Twitter, Instagram, WhatsApp e Telegram faz com que o smartphone pare, pense e olhe para o dia que já vem, e isso leva tempo. Alternar entre eles também consome mais tempo do que deveria, mesmo em um smartphone de entrada que é o caso.

Pensando calmamente a única conclusão possível é que a TCL é péssima em otimização. Há uma percepção de que os chips da MediaTek são fracos e inferiores mas a Motorola conseguiu extrair bem mais deles com a linha Moto E4 e com a mesma RAM, o que levanta a hipótese de que talvez a companhia chinesa (que também detém direitos sobre as marcas BlackBerry e Palm) só consiga fazer um bom trabalho com a plataforma Snapdragon da Qualcomm; vide o Idol 4, que possuía uma boa performance.

O som do A3 XL, emitido por uma saída na parte traseira é satisfatório, o conector é um Micro-USB padrão e há a entrada P2 para fones de ouvido, como se espera de um dispositivo de entrada. A ausência mais sentida no entanto é o leitor de impressões digitais, presente na versão internacional mas por algum motivo bizarro acabou limado na edição brasileira, talvez para cortar custos. É uma pena, hoje mesmo os modelos mais simples já contam com a funcionalidade.

Já sobre a bateria devo esclarecer uma coisa: eu provavelmente fui premiado com um aparelho “viciado” para realizar os testes. Digo isso porque de todos os reviews e análises que verifiquei, o meu caso foi o único em que a autonomia do aparelho foi simplesmente risível e incompatível com o que se espera de uma bateria de 3.000 mAh. Em situações normais ela deveria durar cerca de 24 horas, e mesmo com uso intenso o A3 XL seria em tese capaz de resistir o dia inteiro.

Não no meu caso. O aparelho que testei não dá conta do recado, se usado moderadamente a carga se esgota em cerca de 12-13 horas, e em uso intenso (consumo de mídia, jogos leves, uso de fones de ouvido Bluetooth, redes sociais) o que se viu foi…

Isso aí: do momento em que foi tirado da tomada às 8:00 até às 14:35 a bateria zerou. São 6,5 horas, é impossível que um smartphone sadio entregue uma performance energética tão ridícula.

Ainda assim resolvi conduzir o meu teste padrão utilizando o VLC, um notório devorador de recursos de hardware fazendo o Alcatel A3 XL rodar um filme de 2h16m em Full HD (sim, resolução superior e eu geralmente faço isso, because reasons).

Resultado: ao fim da reprodução o indicador cravou 50%, uma marca que nunca testemunhei em dispositivo móvel algum. Isso posto eu me abstenho de avaliar a autonomia do aparelho em si porque obviamente eu fui sorteado, ao receber um gadget provavelmente com problemas e que não representa a performance energética real.

No mais o carregador, que curiosamente possui um cabo embutido (o aparelho vem com um cabo USB adicional) não é ultrarrápido, e uma carga total leva em torno de três horas.

Câmera

Serei direto: não espere tirar boas fotos com o Alcatel A3 XL. A câmera principal possui um sensor de 8 megapixels e uma abertura de diafragma minúscula de apenas f/2,4. Logo, a menos que esteja em ambientes MUITO iluminados ou a céu aberto com o Sol a pino você terá muito ruído nas fotos, e mesmo em situações ideais o resultado final fica aquém do desejado.

Sem HDR

Com HDR

Em ambientes abertos o pós-processamento tenta melhorar o aspecto geral das imagens e acaba escurecendo demais áreas com pouca iluminação, um problema no alcance dinâmico. Com menos luz você terá mais trabalho, e o modo HDR pode dar uma mãozinha para melhorar alguns detalhes ou corrigir cores.

Já em ambientes internos o Alcatel A3 XL até consegue capturar alguns detalhes dependendo da proximidade do sensor, embora aumente muito a quantidade de ruído e perca informações não colocadas em primeiro plano. De novo, O HDR pode ajudar a realçar algumas imperfeições mas a tendência é sofrer com algumas aberrações cromáticas, principalmente puxando para tons amarelados mesmo em ambientes com lâmpadas fluorescentes.

A câmera selfie é igualmente básica, com sensor de 5 MP e Flash LED que tenta, mas não consegue compensar a deficiência do conjunto utilizado. O pós-processamento é pesado, em ambientes internos o nível de ruído é intenso e o melhor a fazer é utiliza-la apenas em ambientes externos e com boa iluminação, ou o resultado final irá invariavelmente frustra-lo.

Como sempre, você confere as fotos originais no Flickr.

Conclusão

O Alcatel A3 XL é um aparelho básico em sua essência, com o diferencial de contar com uma enorme tela HD de boa qualidade, o que claramente foi o foco da fabricante além da bateria (que me abstenho de comentar). No entanto o hardware é deveras limitado, com o aparelho engasgando em tarefas simples e as câmeras sendo bem fracas mesmo para sua categoria; a ausência do leitor de digitais na versão nacional também é um ponto negativo, visto que a Motorola o incluiu até em seus gadgets mais modestos.

Isso posto o preço sugerido no lançamento de R$ 849 não se justificava, porém hoje já é possível encontra-lo por valores muito mais camaradas: certas redes já o oferecem por até R$ 469 no boleto bancário, o que faz dele uma opção para quem definitivamente não quer gastar muito e deseja um aparelho com tela grande apenas para funções mais básicas.

Pontos fortes:

  • tela grande de boa qualidade;
  • design confortável, com boa pegada (para mãos grandes);
  • Dual-SIM e slot dedicado para Micro-SD;
  • preço atual bem em conta.

Pontos fracos:

  • hardware deixa a desejar, aparelho engasga com frequência;
  • câmeras fracas;
  • versão brasileira não conta com leitor de digitais.

Agradecimentos à Alcatel por gentilmente nos ceder o aparelho para testes.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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