Gana inaugura seu primeiro radiotelescópio

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Fazer ciência não é fácil. Claro, há os casos indesculpáveis, como o nosso patético programa espacial. Os cortes de verbas sistemáticos não ajudam, nem tampouco as verbas que minguadas ainda são homeopaticamente diluídas, ao parar na mão de projetos como aquele onde um sujeito ganhou R$ 20 mil para estudar a nobre arte de degustar jirombas em banheiros públicos.

A falta de verba entretanto não é o problema: é o sintoma. O Brasil odeia ciência, o brasileiro odeia ciência e bate palmas sempre que um corte pára de “jogar dinheiro fora” com cientistas. Outros países, outros povos com mentalidades diferentes enxergam ciência não como um custo mas como um investimento no futuro. A única garantia de que seus filhos e netos viverão mais tempo, mais saudáveis, mais confortáveis.

Não é preciso ser rico para isso, basta vontade política, começando lá de baixo. Gana por exemplo. Tem o 87º PIB do mundo. O Uruguay está em 79º. Eles tem a 126ª renda per capita do mundo. Nós que somos essa desgraça, estamos em 80. Mesmo assim eles conseguem juntar uns caraminguás e investir em ciência.

O mais recente projeto é o radio-observatório de Kuntunse. Os cientistas conseguiram uma antiga antena de comunicação doada pela Vodafone, e com apoio do governo transformaram as instalações em um radiotelescópio.

Esse equipamento não só permitirá observações sofisticadas, como será integrado a telescópios em outros países, inclusive Europa e África do Sul. Através de um processo de interferometria, é criada uma antena virtual com milhares de km, possibilitando muito mais resolução.

O custo do projeto foi de US$ 9,2 milhões, ou “você me fez dar pause em Game of Thrones pra ISSO?” em valores de políticos brasileiros. Foi bancado pelo African Renaissance and International Cooperation Fund, um Departamento que promove investimentos pacíficos em países africanos.

A meta agora é incluir Astronomia nas universidades locais, assim não será mais preciso ir para o exterior estudar. Dickson Adomako, diretor do Instituto Ganense de Tecnologia e Ciência Espacial ressalta que o observatório será uma chance dos astrônomos botarem a mão na massa, saindo do campo teórico.

“Nós temos brilhantes matemáticos, físicos nucleares, engenheiros. Eles são teóricos excelentes, mas não têm laboratórios para praticar. O background teórico deles é ótimo, mas nunca viram um ferro de solda, por exemplo”.

O observatório foi inaugurado quinta-feira passada pelo presidente Nana Addo Dankwa Akufo-Addo, e descrito como o começo de uma nova era de pesquisa e cooperação internacional, incluindo a African Very Long Baseline Interferometry Network.

Essa iniciativa vinda de um país tão pobre mostra que não importa o seu tamanho. Ninguém é tão pequeno que não possa olhar pra cima e sonhar com as estrelas.

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PS: antes que alguém pergunte, a antena do radiotelescópio de Gana tem 32 metros de diâmetro. O maior radiotelescópio de um certo país membro do BRICS, em um certo Rádio-Observatório Espacial do Nordeste tem… 14,2 metros.

Fonte: Quartz.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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