Melhor Coréia lança mísseis sobre o Japão, Coréia do Sul reage com bombas

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Ontem pela manhã as sirenes soaram em Hokkaido, Japão. Ao invés de Gojira, a ameaça era outra: radares haviam detectado um lançamento. Um míssil balístico da Melhor Coréia havia sido disparado, e não estava mirando no Mar do Japão, como os outros. Esse vinha em direção ao território continental do arquipélago (tenho certeza de que isso está errado).

O míssil, disparado de Pyongyang era um Hwasong-12, ou KN-17 na nomenclatura da OTAN. É um IRBM, míssil balístico de alcance intermediário, capaz de levar uma ogiva de 600 kg até um alvo a 4.500 km de distância.

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No caso o míssil percorreu 2.700 km, com um apogeu de 550 km. O lançamento foi meticulosamente planejado para irritar sem dar motivo para retaliação. Foi um único míssil, apontado para o nordeste, passando sobre o mínimo possível de território japonês. Tecnicamente nem espaço aéreo foi violado, pois acaba em 100 km de altitude.

Isso, claro, não serviu de consolo. O Japão ficou com cara de bunda, depois de toda aquela groselha de que derrubaria qualquer coisa que a Melhor Coréia lançasse. Para livrar a cara declararam que não derrubaram pois o míssil não apresentava perigo.

Beleza, champs, se não tinha perigo qual a necessidade disto?


Breaking Disaster — Siren Sounds in Nishinomiya, Japan due North Korea ballistic missile | 29 08 2017

Mensagens de alerta mandavam os residentes procurarem prédios robustos e se abrigarem, foi um real alerta de ataque aéreo. E nada subiu para deter o KN-17. Nem tinha como subir.

As defesas japonesas estão todas ao sul, e mesmo que estivessem em posição, os THAAD e Patriots não conseguem acertar um IRBM no meio do vôo. Os únicos mísseis com esperança de deter um IRBM são os SM-3 dos destróiers Aegis mas não havia nenhum na região e os japoneses ainda não receberam os upgrades necessários.

O míssil atingiu o mar, a uns 1.800 km da costa japonesa, e a resposta foi imediata. A Pior Coréia mandou quatro caças F-15 para um ataque com bombas. O resultado foi preciso e mortífero: todos os alvos foram eliminados. No campo de treino de Pilseung, na Coréia do Sul oito bombas Mk-84 explodiram um buraco no chão.

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Isso mesmo: a resposta de Seul foi… bombardear o próprio território, com bombas convencionais não-guiadas essencialmente idênticas às da 2ª Guerra Mundial.

O Japão ainda não decidiu se fará textão no Facebook, petição no Avast, Carta pro Conselho de Segurança da ONU, campanha de hashtag ou outra medida igualmente eficiente. Por enquanto todo mundo está dizendo que não pode, é um absurdo, desestabiliza a região, blá blá blá.

Trump soltou um comunicado dizendo que “todas as opções estão na mesa”.

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Estão e vão continuar lá.

Ninguém vai começar uma guerra por causa de um lançamento de testes que mirou e caiu no meio do oceano. A Melhor Coréia já bombardeou diretamente cidades do sul e nada aconteceu, já afundou navios por pura maldade e só sofreram sanções. E isso antes de terem armas nucleares. Agora então?

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Motivos do Teste

Até agora os testes da Melhor Coréia foram de trajetórias comprimidas, grande altitude e pouca distância horizontal, caindo no Mar do Japão, a única forma de não invadir território de ninguém. Esses testes ajudam a determinar performance de motor e outros parâmetros, mas não simulam um lançamento em condições reais.

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Outro fator essencial é que com essa trajetória comprimida o veículo de reentrada, que contém a ogiva nuclear, sistemas de navegação, etc vem muito rápida, além das especificações, e em geral é destruído.

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Com a trajetória normal as forças envolvidas são mais benignas e dá para saber se o míssil sobreviveria em condições normais de uso.

A grande incógnita aqui é como a Melhor Coréia acompanhou o lançamento. Eles não tem satélites pra isso. Uma hipótese é que estejam usando barcos de pesca. Antes de desenvolver seus satélites de observação, os chineses testaram mísseis de longo alcance de forma parecida. Barcos próximos do local do impacto, e uma cápsula com a telemetria era ejetada momentos antes da ogiva colidir com o oceano, e em seguida recuperada.

Conclusão:

A Melhor Coréia faz o que quiser, todos os governos locais e americanos foram inúteis em tentar impedir a nuclearização do país, e as regras da Guerra Fria não funcionam aqui. É mais uma situação de refém, onde o criminoso sabe que vai morrer se matar o refém, mas os policiais não podem fazer nada pois perder o refém não é uma opção.

Bem-vindos aos tais tempos interessantes da velha maldição chinesa.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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