Escritor diz que em 20 anos Twitter tornará as crianças analfabetas

20170822crowdbabble_trump-top-tweets_iq_332308211321425920

Nos primórdios da internet houve uma esperança de que teríamos uma Segunda Renascença da Palavra Escrita, algo digno de Gutemberg, onde todo mundo se comunicaria por texto, escreveria mais, leria mais. Talvez por ser esse poço de otimismo e fé na pessoa humana, eu acreditei nisso.

Hoje vemos gemidão do zapzap, memes, pessoas escrevendo barbaridades, miguchês e neutralização de gênero em idiomas que já têm gênero neutro, como “latinxs”.

Os otimistas dizem que a internet apenas expõe a burrice reinante, e se você acha que eu estou sendo preconceituoso e injusto, passe cinco minutos no Yahoo Respostas. Vai, eu espero.

Voltou? Ok, agora que concordamos que o QI médio na internet é menor do que a temperatura em Plutão, continuemos.

Howard Jacobson, escritor inglês da velha guarda, daqueles bem cabeça, super-premiados apontou para um problema sério: as redes sociais tipo Twitter estão mudando a forma como escrevemos E como consumimos a palavra escrita.

Antigamente era normal você devorar um livro de 500 páginas, hoje isso é quase um feito.

Teremos crianças que não vão saber ler, crianças que não vão querer ler. Eu não consigo mais ler como costumava. Minha concentração foi destruída por essa maldita tela. Eu não consigo mais. Eu quero espaço, quero páginas brancas, luz atrás da página.”

Ele está certo. Mesmo gente da antiga mudou seus hábitos, lemos menos textos longos. Artigos como os do MeioBit são exceção, a Grande Mídia às vezes publica artigos com um único parágrafo. Abrimos mão do estilo em nome da concisão, tudo tem que caber em 140 caracteres.

Com o consumo literário nos EUA caindo ao mesmo nível de 1982, onde só 43% da população leu pelo menos um livro no último ano, e a venda de ebooks basicamente estagnada, é um mau sinal pros trouxas que ganham a vida escrevendo, e um péssimo sinal para todo mundo, a médio prazo.

Detesto ser portador de más-notícias mas não dá pra se aprender tudo em tutorial do YouTube tocado em velocidade 1,25×. Enquanto não desenvolvermos equipamentos como os de Matrix, a única forma de assimilar de verdade conhecimento detalhado será através da leitura.

Claro, a geração criada no Snapchat e YouTube vai ter imensa dificuldade em entender isso, então se quer dar a seus filhos uma vantagem desleal em relação aos futuros concorrentes, leve-os a uma livraria regularmente.

Fonte: Independent.

Relacionados: ,

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

Compartilhar