Os drones da Polícia Federal, ou… Operação Kamikaze

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Que nada dá certo neste país a gente já sabe, mas é impressionante como conseguimos fracassar mesmo nas coisas mais simples. E não, não vou nem pesquisar se nos tornamos referência mundial em sandália de pneu, não quero me decepcionar.

A bola da vez foi o programa de drones da Polícia Federal, apresentado com pomba e circunstância, que nos colocaria na vanguarda do monitoramento eletrônico. As metas eram ambiciosas: quatro bases de drones espalhadas pelo Brasil, 14 drones Heron I israelenses com 45 pilotos treinados, aeronaves no ar 24/7, em uma média de 7.000 horas de vôo por ano.

Isso, claro, foi o vendido como meta para 2015.

A realidade da gigantesca caveira de burrossauro enterrada debaixo do Brasil se fez sentir quando o projeto, que foi anunciado em 2009 começou a reatear. A última vez que os dois únicos drones comprados voaram foi em 2016.

Hoje estão desmontados em um hangar, peças dentro de caixas. Manutenção? O contrato venceu e não foi renovado. Nenhuma das quatro bases foi construída. Entre 2009 e 2016 a média de vôo foi de 199 horas por ano.

A Polícia Federal diz que está reavaliando a tecnologia. Fontes anônimas dizem que os drones simplesmente não deram o resultado esperado na monitoração de fronteiras e estradas, o que faz sentido afinal dois não fazem o trabalho de 14. Nem no serviço público.

Segundo a matéria n’O Globo, a PF teria decidido utilizar os drones na Amazônia, mas não disseram que isso só seria possível com um radar meteorológico, que a PF por acaso não tem.

A única notícia reconfortante é que esse caso demonstra que o problema do Brasil não são os partidos. Nossa incompetência é suprapartidária. Os drones foram idealizados no Governo Lula em 2007, operacionalizados durante o Governo Dilma e agora o Governo Temer está dando continuidade à Cadeia de Incompetência que gere o projeto.

Não que isso sirva de consolo ou explique os R$145 milhões que gastaram com esses brinquedos, entre 2009 e 2017.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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