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MIT acredita num futuro com drones híbridos autônomos para transporte. Péssima ideia

MIT apresenta pesquisa de drones híbridos que voam e andam em estradas de forma autônoma acreditando ingenuamente num futuro com veículos de transporte de passageiros sem pilotos. Só que há uma série de problemas nesse projeto.

2 anos e meio atrás

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A trope dos carros voadores é quase tão antiga quanto o cinema. Do DeLorean ao carangos movidos a vapor em Blade Runner, passando pelo trânsito caótico de O Quinto Elemento ao Ford Anglia dos Weasley, é um conceito que vira e mexe volta à tona. O grande problema é que a realidade é cruel, unir dois veículos tão díspares nunca foi além de projetos de fim-de-semana que duram 45 anos e devaneios de hobbystas endinheirados.

A bem da verdade um carro precisa de torque e não é muito saudável manter suas RPMs baixas e um avião precisa exatamente do oposto, além de ter que obrigatoriamente ser leve para Newton e Bernoulli fazerem seu trabalho. Por outro lado, um acidente automobilístico pode variar desde óbito a apenas escoriações, num defeito ou imprudência aérea o destino é um só, o caixão.

drone

Como não convém entregar o controle de uma aeronave, qualquer que seja na mão de pessoas desqualificadas (até parece que todo mundo tiraria brevê) a ideia agora é investir em drones que possam voar e rodar, excluindo o fator humano da jogada. O laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial do MIT apresentou uma proposta no mínimo interessante, a de veículos autônomos híbridos que já conseguem sozinhos trilhar uma rota específica, identificar quando precisam economizar as baterias e determinar se devem pousar, passando para o modo de locomoção terrestre.

Dessa forma a locomoção não seria 100% aérea: o sistema dos drones determinaria quando seria melhor voar para encurtar distâncias e poupar tempo e quando ir pelo chão é mais indicado, a fim de economizar energia e garantir a chegada ao destino.

O demo é de fato bem interessante:


MITCSAIL — Drones That Drive

Só que há alguns problemas nessa abordagem. Primeiro, tais drones seriam terrivelmente lentos em terra e dificultariam ainda mais o trânsito já caótico das grandes cidades. No céu é a mesma coisa, metrópoles já possuem o espaço aéreo tomados por helicópteros e adicionar mais autômatos, ainda que sejam perfeitamente preparados para tais particularidades acabaria por complicar ainda mais as coisas.

Não dá para um drone desse tipo estacionar na rua ou num heliporto, todos já extremamente congestionados. E sem um piloto, qualquer mínimo defeito no ar resultará em morte dos passageiros, e alguns casos poderiam ser contornados por um piloto experiente. É por isso que apesar dos aviões hoje em dia serem automatizados e fazerem a maior parte do trabalho sozinhos, nenhuma empresa aérea cogita demitir seus pilotos, e as agências reguladoras jamais permitirão que um veículo de transporte voador seja 100% autônomo. Nem os carros conseguem tal mamata facilmente, há vários empecilhos e exigências determinando que em situações específicas o motorista deve assumir o volante.

Helicópteros estão aí há muito mais tempo, cumprem as mesmas funções e nunca foram massificados a ponto de se tornar um transporte acessível. Aviões idem. É bonitinho pensar num futuro com drones-ônibus mas sinceramente não é algo para agora nem um projeto a médio prazo, pelo menos não quando todo mundo colaborar em prol de um ecossistema absolutamente controlado, algo que o trânsito e o espaço aéreo de metrópoles não são.

Fonte: MIT.

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