Rússia cogita banir o Telegram por não se comprometer a combater o terrorismo

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O Telegram, assim como outros apps de mensagens instantâneas e redes sociais vem sendo pressionado pelas autoridades de diversos países a combater o terrorismo com mais afinco, visto que a plataforma é utilizada por extremistas para coordenar ataques e divulgar seus feitos para os simpatizantes.

Na Rússia agora o caldo entornou de vez: o governo está ameaçando expulsar o app do país se seus responsáveis não cederem dados cruciais às autoridades, algo que o Telegram não está disposto a fazer.

O FSB, o Serviço Federal de Segurança da Federação Russa (o órgão que sucedeu a KGB) divulgou que o homem-bomba que matou 15 pessoas num ataque ao metrô de São Peterburgo em abril utilizou o Telegram para manter contato com outros extremistas através do recurso de chat secreto, embora não tenham identificado a que grupo ele pertencia (cogita-se o Estado Islâmico ou a Al Qaeda). Isso posto o Roskomnadzor, a agência reguladora de comunicação do país (em outras palavras, o censor) determinou que o app deve se sujeitar às novas leis sobre armazenamento de dados, sob pena de ser sumariamente banido da Mãe Rússia.

De acordo com as tais leis, qualquer empresa de tecnologia que deseje se instalar no país é obrigada a manter servidores locais com os dados dos cidadãos russos, de modo que o Kremlin possa acessar, filtrar e bloquear o que desejar. Isso levou  por exemplo à expulsão do LinkedIn e uma indisposição com a Microsoft, visto que o presidente Vladimir Putin quer abrir mão de todas as soluções da companhia (Windows incluso) em computadores públicos.

A acusação do FSB diz que “os mais ativos membros de organizações terroristas internacionais no território russo usam o Telegram”, acabando por classificar o grau de segurança do chat secreto como bastante alto e por isso, uma ameaça ao país. A briga lá é semelhante a da nossa justiça com o WhatsApp: as autoridades querem ter acesso irrestrito ao conteúdo de conversas em casos de investigações criminais ou que envolvam a segurança nacional, algo que tanto uma quanto a outra afirmam ser impossível por conta da criptografia dos dados, onde nem os administradores tem acesso às chaves de proteção. Apenas os usuários.

O russo Pavel Durov, co-fundador do Telegram afirma que o Roskomnadzor solicitou à empresa chaves de criptografia que permitam às autoridades quebrar a segurança das conversas de suspeitos e prender terroristas, entretanto o executivo (que é um antigo desafeto da Rússia e também criou o VKontatke, uma rede social local nos moldes do Facebook. Na época, ele foi afastado da companhia por se recusar a entregar dados do líder opositor Alexei Navalni, e por causa disso ele o irmão acabaram comprando cidadania caribenha e lançando o Telegram originalmente na Alemanha) não só se recusa a cooperar como deixa claro que está fazendo sua parte, tendo já removido cerca de 5 mil canais suspeitos. No entanto isso não é o bastante.

Durov fez duras críticas ao governo russo e sua intenção de bloquear o Telegram no país ao não dançar conforme a música, algo que ele não pode fazer (e creio que não o faria mesmo se pudesse), ao dizer que “se vocês (as autoridades russas) querem deter o terrorismo bloqueando as coisas, terão que bloquear toda a internet”.

A ironia é que conhecendo Putin, isso não é tão difícil de acontecer.

Fontes: BBC e Reuters.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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