Rumor: o Google pode inserir seu próprio bloqueador de anúncios no Chrome

O Google pode acabar dando um passo um tanto maior que a barriga: segundo fontes próximas a companhia estaria em vias de introduzir seu próprio bloqueador de anúncios e embuti-lo em todas as versões do Chrome, para desktops e dispositivos móveis de modo a bloquear propagandas ruins de terceiros, ao mesmo tempo em que bateria de frente com o AdBlock Plus.

E também com as leis antitruste.

Todos sabemos que a maior parte da receita do Google vem de anúncios. Só em 2016 estima-se que o montante tenha chegado a US$ 59,6 bilhões, quase 90% do total de dinheiro arrecadado. Em suma a grana que Mountain View faz com Android e outros produtos é troco de pinga perto da receita de propaganda, graças a seu sólido e invejado algoritmo de buscas. Só que há anúncios e anúncios, e os mais nocivos e chatos (como janelas pop-up, vídeos e músicas que tocam sozinhos, os que ocupam quase a totalidade da tela, botões que só se ativam após uma contagem regressiva, janelas que mendigam a permanência na página e etc.) também não agradam a empresa.

O grande porém nessa história é que o Google é parceiro da AdBlock há vários anos, mas no clássico esquema da Máfia de pagar por proteção: enquanto a AdBlock conta a grana, esta coloca o sistema de anúncios da gigante em uma whitelist e libera a exibição de suas propagandas para todos os usuários do AdBlock Plus, a menos que estes barrem os ads manualmente. Não se sabe quanto, mas nessa brincadeira a empresa alemã embolsa uma boa grana do Google e outras companhias, que não desejam ser prejudicadas pelo bloqueador.

No entanto o Google teria se cansado de tal situação. Como não dá para brigar com os consumidores (hoje 26% dos usuários usam algum tipo de software como o AdBlock Plus) a companhia decidiu desenvolver ela mesma o seu software para bloquear anúncios, que segundo as fontes seria inserido em todas as versões do Google Chrome e ativado por padrão. Isso não só frearia a expansão do AdBlock Plus e concorrentes, como manteria Mountain View no controle da situação (hoje o Chrome é utilizado por 52% dos usuários) e claro, sem ter que desembolsar nenhum tostão.

Claro que há uma série de implicações nisso, e a mais óbvia é a proteção do Google de sua própria plataforma de anúncios, fornecida pela DoubleClick. Apesar de remover o que a Coalition for Better Ads (instituição que conta com Google, Facebook, P&G, News Corp, The Washington Post e outros como membros) considera “anúncios ruins”, como ficariam os fornecidos por empresas pequenas que não são nocivos ou intrusivos? O Google passaria a ser o Don da vez e liberaria a veiculação das propagandas no Chrome mediante pagamento? Eles seriam depreciados em relação aos próprios ads da gigante? E quanto a outros navegadores que já contam com bloqueadores nativos, como o Opera? Eles perderiam ainda mais usuários?

Caso o Google realmente lance um bloqueador de anúncios, é possível que a companhia se complique ainda mais com as leis e regulações antitruste, principalmente frente à Comissão Europeia com a qual a empresa já não tem uma boa relação. Tal decisão poderia jogar ainda mais lenha na fogueira, alimentando o desejo do bloco de desmembrar a gigante em duas separando o motor de busca do resto e força-la a compartilhar seu algoritmo com os concorrentes, sem falar em outros processos envolvendo o Google Search, o “Direito ao Esquecimento“, o Android, o Google Imagens, o YouTube, o AdSense e por aí vai.

Segundo as fontes o Google ainda não decidiu que caminho tomar, mas em caso positivo a introdução do bloqueador seria feita no próximo Google I/O, que será realizado em maio. Lembrando, como se tratam de rumores é bom ficar com um pé atrás.

Fonte: The Wall Street Journal.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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